Thursday, June 24, 2010

Never let me go (Nunca me deixes)


Faz agora um ano que li Never let me go de Kazuo Ishiguro. Estava numa pequena loja em Sligo à procura de um livro de Verão e não sei bem como dei por mim a pegar neste em particular. Revelou-se uma surpresa maravilhosa - um dos melhores livros que já encontrei até hoje. A escrita é despretenciosa, e a história vai-se desenrolando de forma misteriosa e tragicamente bela. Este ano, lá para Outubro, sai a adaptação cinematográfica - se fôr fiel ao livro, é melhor comprarem um maço de lenços bem absorventes antes de entrarem no cinema. Podem ver o trailer aqui.
PS - A versão portuguesa, Nunca me deixes, está publicada pela Gradiva.

Monday, June 21, 2010

Simple Things


Custa-me a crer que só me falta um aninho para me despedir da década dos vinte... Em vez de pôr o disco da melancolia a tocar, decidi saborear ao máximo os mimos que recebi no meu dia de anos:

1 - Uma noite bem dormida (obrigada, Benjamin, por só teres acordado uma vez para a mamada!);
2 - Pequeno-almoço na cama (obrigada, amor, pela salada de fruta XL, pelos ovos mexidos, torradas e chá);
3 - Um "I love you mummy" de derreter icebergs (obrigada, Daniel, continuas a ser um doce);
4 - Um dia de sol (obrigada, Senhor, pelo céu azul que cheirava Portugal);
5 - Mensagens carinhosas de amigos e família (obrigada a todos!).

E, para terminar, um bolo de anos delicioso: Gateau Diane (não sobrou nem uma migalha, se não até vos dava um bocadinho...)

Thursday, June 17, 2010

Décimo terceiro dia



O Benjamin já cá anda fora há treze dias. De uma maneira geral não se tem queixado da companhia, nem da comida, nem da cama, o problema é que continua tão noctívago como quando ainda estava na minha barriga. Eu bem tento mantê-lo acordado durante o dia, mas o rapaz continua adepto do "carpe noctem".

Quanto a mim, já me sinto muito melhor. Retomei hoje o meu passeio diário e tenho vivido às custas de amigas que aparecem para conhecer o bebé, bebem uma chávena de chá e me deixam uma boa refeição caseira.

Aqui ficam mais umas fotos para verem como o Ben é lindo e como os dois manos se continuam a dar muito bem.

Monday, June 07, 2010

Até que enfim, Benjamin!



Nasceu a 5 de Junho perto das 2 da manhã com 56 cm e 4,440 kg.
E o Daniel está todo orgulhoso por ser o mano mais veho!

Tuesday, June 01, 2010

Com 3 aninhos apenas...


Esperava por esta altura já vos poder falar do nosso novo rebento, mas visto que ele continua a jogar às escondidas, falo-vos antes do Daniel. Já tem 3 aninhos e está um amor (aliás, é por estarmos tão babados com o nosso primogénito que decidimos repetir a dose:-) Brinca muito ao faz de conta e usa falsetto quando põe os carros ou os animais a conversar.

O Inglês é claramente dominante, apesar de eu continuar a comunicar com ele na língua de Camões e ele perceber tudo. O curioso é que escolhe certas palavras em Português e depois usa-as no meio das frases em Inglês. Às vezes é uma salganhada, mas a ama, a Donna, tem uma paciência de santa e vai aprendendo palavras novas à medida que elas vão surgindo. Os outros dois miúdos que passam o dia com ele, também acabam por absorver o vocabulário luso e, volta que não volta, as mães, meio atarantadas, perguntam à Donna o que é que os filhos andam a dizer. O meu Daniel com 3 aninhos apenas anda a fazer mais pela divulgação da língua portuguesa do que o Instituto Camões!

Friday, May 28, 2010

À espera da minha barriga...


Já lá vão quase dois anos desde que este blog entrou de férias... Uma mistura de preguiça, falta de inspiração e bastante trabalho levaram-me a abandonar esta aventura cibernética. Agora que estou de novo de licença, decidi ver se ainda consigo escrever em português. Além disso, já estou há duas semanas em casa e não há sinais de o bebé querer espreitar cá para fora. Aceitam-se, por isso, sugestões sobre como passar o tempo até que a minha barriga se decida a encolher... Ah, e por favor, nada de limpezas - farta de nesting já estou eu!

Saturday, July 12, 2008

Miscelânea

A preguiça instalou-se se novo e nunca mais tive paciência para escrever. Verdade seja dita, também não tenho tido muito tempo (ou não o tenho sabido gerir bem). Imaginem que o Daniel já fez um aninho a 24 de Maio e teve uma festa de arromba para miúdos e graúdos (fotos disponíveis no sítio do costume)! Entretanto fomos a mais um casamento: a noiva estava "branca e radiante", o noivo vestido à escocesa e durante a celebração deliciei-me a ouvir uma harpista com voz parecida com a da Loreena Mckennitt.

O pobre do Daniel já foi a 4 casamentos desde que nasceu, e vai a mais dois em breve...Por este andar quando comecar a falar e lhe perguntarem o que quer ser quando fôr grande, ainda é capaz de responder: mestre de cerimónias ou "wedding planner".

De resto, optámos por não comprar casa para já. O mercado imobiliário, que tinha ajudado muito à crescimento económico da Irlanda, está a desmoronar-se aos poucos: os preços já começaram a descer e a tendência deverá manter-se durante os próximos anos. A recessão bateu à porta dos irlandeses quando muito poucos esperavam a sua chegada. Nos últimos meses, várias empresas iniciaram despedimentos em massa - incluindo a minha. A bomba caiu na segunda-feira, 30 de Junho. Reunião geral com um final infeliz: 1/3 dos empregados vão perder os seus postos depois de 31 de Outubro. O meu departamnento vai fechar (vão concentrar o Serviço de Apoio Técnico nos EUA). E eu? Não sei como, ainda não perdi o meu emprego, mas também ainda não tenho uma ideia clara de quais serão as minhas funções a partir de Novembro. É ir andando e vendo...

Friday, March 21, 2008

A gatinhar se vai ao longe


É verdade, o Daniel começou a gatinhar! Depois de muitas tentativas frustradas de cabeça para baixo e rabinho para o ar, o nosso filhote decidiu mudar de estratégia. Agora, gatinha "à comando", arrastando-se pela casa como se estivesse a planear um assalto aos ursinhos de peluche.
Entretanto, mudar a fralda revelou-se tarefa quase impossível: as pernas não param quietas, enquanto o Bruce e eu tentamos persuadir o nosso pequeno rambo a não sair do lugar: em vão!
Quanto à linguagem, apesar de o vocabulário continuar a ser de uma só palavra ("mamã", pois claro), o Daniel já é bastante fluente em gestos: diz adeus, bate palminhas, faz "a pitinha põe o ovo", dança com as mãozinhas...E o melhor de tudo é reagir igualmente aos nossos pedidos em ambas as línguas. Sim, eu sei, sou uma mãe babada. Mas digam lá se eu não tenho razão para o ser?

Monday, March 03, 2008

Perú na Eurovisão


Não, não me refiro ao país, refiro-me ao Dustin, o único perú da Irlanda que ao longo de quase 18 anos tem escapado a ser cozinhado para almoço de Natal. O seu début televisivo foi num programa infantil, mas ao longo do tempo tem cativado cada vez mais os adultos. Prova disso é o facto de ter ganho a eliminatória para o festival da Eurovisão. Preparem-se para o nunca visto! O início da música "Irlande douze pointe" é absolutamente atroz, mas acabo por ficar rendida.

A música, a letra, os bailarinos são uma paródia à Eurovisão e, mesmo sem ter ainda ouvido os outros concorrentes, duvido que alguém supere a originalidade irlandesa (sim, eu sei, talvez um pouco exagerada, mas absolutamente fora do vulgar).

A verdade é que a Eurovisão já não é o que era, e estamos todos (?) fartos de ouvir sempre o mesmo. Não foi sempre assim, pois não? Ainda hoje passei uma hora a navegar pelo "youtube" e a rever as músicas de 1993, o melhor ano de que me recordo. Chamem-lhe nostalgia se quiserem, mas a verdade é que este festival esteve recheado de pérolas: desde a fantástica "Eloise" (Suécia, merecias ter sido a vencedora!), à caixinha de música da Croácia, ao desabafo feminista da Espanha, à música de discoteca holandesa, ao ritmo electrificante do Reino Unido, a lista continua. Até a nossa Anabela teve uma actuação bem simpática. E adivinhem quem ganhou: a Irlanda! Lembro-me que fiquei fula quando soube o resultado. "In your eyes" até nem era má, simplesmente não era suficientemente boa. Na altura parecia moda: ano sim, ano sim, a terra das ovelhas encharcadas arrecadava os louros. Até que no ano passado, foi o choque total: "Irlande nil points". Agora, só mesmo com o Dustin é que vão lá!

Monday, February 25, 2008

¿Estás lista?

Há já muito tempo que uso listas para planear as minhas tarefas quotidianas e as minhas compras. Enquanto estudante, e especialmente em período de exames, ficava satisfeita se ao fim do dia tinha mais "certos" do que cruzes na minha lista, parecia-me uma forma bastante objectiva de auto-avaliação. Descobri depois que este hábito dava bons resultados também no meu trabalho e, desde então, sou uma funcionária muito mais "produtiva" (excepto quando escrevo entradas para blogues, claro está).

Quando já me comecava a questionar se o meu comportamento era obsessivo, falei com um casal nosso amigo que tem 4 filhos e é um exemplo de organização. Cada vez que vão a algum lado, usam uma lista com os objectos a levar, distribuídos por cada divisão da casa! Uf, afinal nao sou a única com estas manias!

Tuesday, February 12, 2008

"Tupperwarezinho"

O Bruce acha piada aos diminutivos em Português e talvez por isso tenha engraçado com a palavra "tupperwarezinho". De segunda a sexta-feira, lá vamos os dois para o trabalho acompanhados dos nossos fiéis recipientes de plástico. A moda começou no meu primeiro emprego na Irlanda: a empresa ficava num local relativamente isolado e, se não trouxesse comida de casa, ficava esganada o dia todo (e eu, ainda por cima, tenho a mania de petiscar de duas em duas horas). Assim, habituei-me a vir munida de casa com um bom almoço, barrinhas de cereais, iogurte, fruta...

Quando mudei de trabalho, o hábito já estava bem enraizado e, apesar de haver cantina ( que não é nenhuma pechincha), não abdiquei das minhas refeições caseiras. A princípio parecia ser a única a aventurar-se a trazer comida de casa para a cantina (havia mais adeptos do tupperware, mas esses comiam no seu canto, escondidos atrás do computador). Aos poucos, alguns colegas perderam a vergonha e passaram a trazer os plásticos coloridos para a mesa e agora já é prática comum (especialmente porque está toda a gente com medo da recessão e é melhor poupar uns euros).

Monday, January 28, 2008

"Is binn béal ina thost"

Tenho uma grande paixão por línguas, sejam elas vivas, mortas ou moribundas, como é o caso do irlandês. Ao longo dos anos, tive relativa facilidade em aprender a língua inglesa e cresci com espanhol ali ao lado (sejamos francos, não exige grande esforço).O francês não foi particularmente difícil de assimilar (há muitas palavras com a mesma raiz que o português o que ajuda) e depois veio o latim... Houve quem pensasse que era um desperdício optar por uma língua com certidão de óbito em vez de escolher Geografia. Confesso que eu própria tive as minhas dúvidas, que logo se dissiparam com as aulas. Ao longo dos anos, o fascínio ia crescendo à medida que os textos se alongavam.

Quando entrei para o Conservatório em Lisboa, tive também de parlare un po' d'italiano, que veio à boleia do latim. Até há pouco achava que aprender línguas era muito fácil. E foi então que dei de caras com o irlandês, uma língua tão bizarra que é capaz de pôr o chinês num chinelo.

Em primeiro lugar, a ordem das palavras parece dar mais importância às acções do que aos agentes (verbo/sujeito/objecto). Em vez do costumado "O João comeu a maçã.", começa-se por "comeu" e ficamos todos ansiosos por saber se foi o João, a Maria ou o Zé. A língua irlandesa é um autêntico policial falado, com o ouvinte em permanente suspense. Depois, consoantes e vogais não se dão lá muito bem e não gostam de se misturar. Resultado, muitas palavras têm uma ortografia bastante complexa. Vejam só o seguinte exemplo tirado da Wikipédia em irlandês: "De bharr go bhfuil sí an-oscailte tarlaíonn loitiméireacht (creachadóireacht), míchruinneas, neamhchomhsheasamacht, caighdeán measctha agus tuairimí gan bunús." (http://ga.wikipedia.org) Não me perguntem o que significa... Finalmente, o que torna esta língua particularmente frustrante de aprender - pelo menos para mim - é o facto de eu não conseguir "adivinhar" o que significam as palavras. Todas as outras línguas que estudei, ou derivaram do latim, ou têm muitos vocábulos de raiz latina, o que não se passa com o irlandês. Acho que me vou contentar pela frase "Is binn béal ina thost" ("o silêncio é de ouro")...

Friday, January 18, 2008

Labor, -oris


Estranhamente, estava mais nervosa no dia em que regressei ao trabalho do que quando entrei para esta empresa. Apareci com o meu caderninho de notas (não me fio da minha memória, por isso apontei tudo antes de ir de licença) e voilà: em pouco tempo o meu cérebro estava de novo operacional! Melhor ainda, quando telefonei à ama à hora do almoço para saber como se estava a portar o Daniel, pude ouvi-lo a rir-se às gargalhadas...
Apesar de estar bem mais cansada (adeus ó sestas...), estou contente. Saborei os sete meses que passei com o Daniel, mas senti a falta da companhia de adultos. Ele, por sua vez, precisava de estar com outras crianças: desde que começou a ir para a ama e a brincar com os filhos dela está muito mais risonho e extrovertido.

Friday, December 28, 2007

Feliz Ano Novo!


Esta foto era para cá estar mais cedo, mas já estamos há uma semana em Sligo e a internet tem estado com problemas. E antes disso, bem, atravessei uma fase de preguicite intelectual. Espero que tenham tido um óptimo Natal (como era de esperar, o Daniel gostou mais do papel de embrulho do que dos presentes) e que o ano 2008 traga o que cada um de vós mais deseja (no nosso caso, uma casa nova). Até para o ano!

Friday, December 07, 2007

5 cêntimos de bom senso



Ninguém gosta de taxas. Parece que a nossa carteira se encolhe só de ouvirmos a palavra. No fundo, pensamos sempre que o Estado nos está a roubar de uma forma constitucional, em vez de premiar o cidadão exemplar que é cada um de nós. Nós até já fazemos reciclagem e tudo, ainda querem mais?

Sim, é preciso mais se queremos mudar o rumo do nosso planeta. Nos últimos 20 anos, o número de desastres naturais relacionados com as condições climatéricas quadruplicou (http://news.bbc.co.uk/1/hi/in_depth/7111623.stm ). Nem era preciso citar dados de um estudo científico, basta estarmos a par das notícias para vermos cada vez mais e maiores catástrofes (o Tsunami de 2004, o furacão Catrina de 2005, a lista negra é assustadora). E agora estão vocês a pensar, "o que é que lhe deu para estar com este discurso apocalíptico"? E digo eu, "Acabei de ver An inconvenient Truth de Al Gore (que, aliás, recomendo vivamente)." É, acima de tudo, uma verdade urgente. Já todos sabemos do efeito estufa. Já todos sabemos que a temperatura no globo está a subir. Já todos sabemos que os glaciares se estão a derreter. Mas quando nos mostram os números, as imagens, as consequências é impossível ficar indiferente.

"Pronto", dizem vocês, "ela não está boa. Então é o meu saquinho de plástico gratuito que está a destruir o planeta?" E digo eu, "É!" O saquinho, e todos aqueles hábitos irrefletidos e comodistas do dia-a-dia: deixar as luzes ligadas em todas as divisões porque sim, não usar lâmpadas económicas porque são mais caras (vejam só o contrasenso!), ir de carro sozinho para o trabalho quando há bons transportes públicos ou posso dar boleia a um colega... Enfim, um sem número de gestos que mantemos que estão a comprometer o meio-ambiente. E a triste verdade é que, apesar de ser tão fácil mudar o nosso comportamento, poucos se dão ao trabalho de o fazer. Por isso, é obrigação do Estado educar os cidadãos. Quando julgava que finalmente o governo de Sócrates tinha tido um boa ideia, eis que volta tudo atrás e se dá o dito por não dito...

Wednesday, December 05, 2007

Caça ao tesouro

Lá em casa sempre houve mais livros do que estantes: quanto mais prateleiras se punham, mais volumes apareciam... Assim, não é de estranhar que eu goste tanto de bibliotecas - têm algo de familiar. É certo que a organização não é idêntica (a minha mãe bem tentava criar diferentes secções, mas com tanta gente a mexer nos livros era tarefa sisífica), contudo respira-se o mesmo cheiro a papel e a histórias.

Infelizmente, a biblioteca em Ennis fica relativamente longe da nossa casa e durante o início da minha licença ia com pouca frequência. Agora, porém, já apanhei o vício e ainda que me arrisque a apanhar uma bátega de água não deixo de ir. Quando finalmente lá chego, sinto-me como uma criança numa loja de doces: a escolha é tanta que não sei por onde começar. Não são "só" livros: há jornais, CDs, DVDs, exposições... Os meus olhos famintos percorrem os corredores, enquanto o Daniel se diverte a fitar as lombadas coloridas. O tempo é escasso - as lombadas não são assim tão giras e o pequenote começa a refilar se a mamã não se decide. A caça ao tesouro termina abruptamente, mas os troféus acumulados são suficientes para umas largas horas de lazer.

Monday, December 03, 2007

Miau miau

Quer o Bruce, quer eu gostamos mais de cães do que de gatos, ele porque é alérgico a felinos, eu por causa de uma história macabra de família em que um tio-bisavô acaba morto por um gato assanhado (e como se isso não bastasse, já vivi num apartamento em Lisboa com uma gata destrambelhada que arranhava quem a acariciasse). O Daniel parece seguir os nossos passos, visto que não tem ligado ao gato de um casal nosso amigo, mas ficou excitadíssimo quando viu o cão de um dos nossos vizinhos. Quis à força pôr-se de pé e "fazer festinhas" (isto é, arrancar pêlos) ao dito cujo que, partilhando do estoicismo canino, continuou a abanar a cauda em vez de fugir a sete patas.


Hoje, porém, não resisti ao Puss-in-boots look* de um gatinho que ultimamente tem andado a miar de porta em porta. Abri a janela e deitei um pedaço de bolo para ver se Sua Excelência se dignava a comer (vejo sempre estes felinos como criaturas simultaneamente altivas e picuinhas). E eis que nem sobram migalhas, tão esfomeado estava! Pronto, derreteu-se-me o coração, e deixei-lhe uma malga de leite à porta. Assim que terminou a sua refeição, saltou para o parapeito exterior da janela já fechada, e lá ficou deitado, à espera de ser contemplado pela sua benfeitora. A verdade é que o Daniel achou imensa piada à mudança de cenário (ele passa imenso tempo a espreitar a rua, e está sempre tudo na mesma...). Maior foi o meu espanto quando, meia hora depois, ao sair para o nosso passeio habitual, o gato fez questão de nos acompanhar. Confesso, estamos os dois rendidos ao "miau-miau"!

* olhinhos de gato das botas (Shrek 2)

PS - Li agora no Público online que em Tóquio há cafés onde os clientes se podem distrair a mimar gatos. Às tantas, a moda ainda pega...

Monday, November 26, 2007

Os melhores filhos do mundo

A maioria das mães vive na ilusão de que os seus filhos são os mais espertos, os mais bonitos, os mais simpáticos. Se o primeiro dentinho nasce mais cedo do que a média, é precoce e, por isso, inteligente. Se começa a gatinhar antes que o filho da vizinha, "vai longe". Se sorri, é lindo; se é introvertido, ergo pensador... Pode até nem fazer nada, mas é sempre o melhor, mesmo no nada que faz.

Ora enquanto algumas mães acalentam estes pensamentos em segredo, outras há que não hesitam em partilhá-los com a família, amigos, professores e catequistas dos seus rebentos, o homem do talho, a senhora da mercearia, etc, etc... Agora adivinhem lá em que grupo se inclui a minha, que nas últimas semanas anda em campanha bloguista: "Leiam o blogue da Luísa!". Como há já uns anos que não corre a minha veia poética (costumava escrever "versos" em criança e durante a maior parte da minha adolescência e vida universitária), esgotaram-se os troféus para mostrar a conhecidos e afins. Contudo, o facto de eu ter começado a publicar textos na internet deu-lhe a oportunidade perfeita para alargar a sua divulgação a meio mundo...

Mãe, muito obrigada por acreditares cegamente nas minhas capacidades, me teres ajudado a ganhar auto-estima e a crescer com optimismo. Pai, obrigada pelo teu encorajamento mais comedido, que permitiu que o meu ego não explodisse, depois da pirotecnia panegírica materna.

PS- Redescobri há pouco o meu primeiro poema em Inglês (mais um dos frutos de ERASMUS) que anda à volta do tema da humildade. As minhas desculpas para quem não está à vontade com a língua inglesa, mas traduzir este poema iria despi-lo de sentido. Bom proveito!

.

i feel like writing myself
as i.
What's the point in being big?
If you're too big,
no one will be able
to embrace you entirely.
If you're "I"
there's no space left
for others to complete you.
"I" is a pedestal
with no statue on top.
i want to be i
even less,
just a dot
.
See,
This is me:
a freckle of God.

Friday, November 23, 2007

Ama...seca

Estava tudo a postos para eu regressar ao trabalho na passada segunda-feira. Infelizmente, os imprevistos não faziam parte do meu plano: à última da hora a ama informou-nos que afinal não podia tratar do Daniel porque - coisa nunca vista - ele chorava. Depois disto, quem queria chorar era eu...

Convencida de que tudo acontece por uma razão, telefonei ao meu chefe e pedi para alargar a licença sem vencimento até ao fim do ano, o que me foi concedido de boa vontade. Entretanto, comecei de novo à procura de ama, uma vez que há poucas creches full-time nesta zona (a maioria funciona só 2/3h de manhã ou à tarde). Este ano houve um baby boom na Irlanda e confesso que tinha medo de não encontrar ninguém disponível... Felizmente, estava enganada. Para minha grande surpresa e alívio, descobri várias. Espero desta vez ter acertado na escolha.

Agora que já começa a assentar a poeira, tenho que admitir este foi um mal que veio por bem. Se não, vejamos:

1. Apesar da minha costela feminista o querer ocultar, a verdade é que estou a gostar imenso de ser temporariamente a "stay-at-home-mum";
2. O Daniel, desde que deixou de ir à ama, esmera-se em sorrisos (acho que a auto-estima dele não ficou lá muito abalada com a rejeição);
3. A colega que me está a substituir iria ficar desempregada durante o mês de Dezembro, e desta forma acabou por receber uma prenda de Natal antecipada;
4. A nova ama fica mais perto do nosso trabalho e, como tem três filhos (a mais pequenina com apenas dois anos), ainda se lembra que os bebés choram.

E esta, hein?

Monday, November 12, 2007

Nódoas...

A vida ganhou mais cor desde que o Daniel começou a comer papa e sopa: quer ele, quer eu, quer o Bruce, envergamos agora as nossas roupas com nódoas de orgulho. Não há avental, babete ou fraldinha que controle a criatividade sujadora do nosso pequenino. E eu que julgava - antes dele nascer - que a lavagem da roupa cá em casa só ia aumentar 50% (afinal era só mais uma pessoa, e ainda por cima, em ponto pequeno). Como estava enganada! O vestuário do Daniel ainda é o menos, o nosso é que está constantemente a ser bombardeado com manchas de todo o tamanho e feitio, e nos lugares mais caricatos. A situação tem vindo a deteriorar-se desde que o nosso rebento aprendeu a soprar e decidiu que a colher serve muito bem de flauta...

Sunday, November 11, 2007

À procura de casa

Desde que o Bruce e eu nos casámos, temos vivido numa simpática casa amarela em Ennis, num local muito sossegado. Gostamos muito do nosso senhorio, mas não ao ponto de continuar a pagar-lhe renda ad eternum. Há cerca de um mês, aproveitando o facto de ainda estar de licença,comecei a ver o programa "Location, location, location" que dá imensas pistas para quem quer comprar casa. Aprendi, por exemplo, que os três principais factores a ter em conta são a relação entre o tamanho, a localização e o preço do imóvel.

Quando fomos ver uma casa pela primeira vez, ia munida do meu bloco de notas com uma lista imensa de pormenores a ter em atenção. O edifício tinha sido construído nos anos setenta, mas fora completamente remodelado e ampliado, respirava-se bom gosto em todas as divisões. Era enorme, com muito espaço de arrumação (uma das minhas exigências), boa iluminação, imensas tomadas (sim, é uma das maiores preocupações do Bruce, que anda a coleccionar computadores órfãos), um jardim encantador... Depois de uma avaliação demorada, passou o teste com distinção. O problema era o preço ser um pouco acima do orçamento e o facto de, menos de uma semana depois, já haver um comprador à vista e nós não estarmos ainda preparados para regatear (afinal, era só a primeira que tínhamos visto).

Entretanto já vimos outras três, que ficaram sempre aquém. Ou a cozinha era muito pequena, ou a casa precisava de obras, ou tinha poucas divisões. Por isso continuamos à procura, à pocura...

Monday, November 05, 2007

O Belo Acordado




O Daniel é um amor durante o dia. Ontem aprendeu a soprar e passa agora a maior parte do tempo a tentar assobiar ao espelho. Gosta muito do seu passeio diário, da sua aula de música (a mamã ou o papá tocam para ele) e de saborear - literalmente - os livros (prefere mordê-los a fixar as imagens). É um querido - e já estou a ver o sorriso cúmplice de alguns de vocês que sabem o meu uso particular de "querido"- MAS não dorme à noite! Eis a razão por que esta bloguista não tem escrito. A verdade é que às vezes me sinto tão cansada que até falar exige um esforço sobre-humano (por exemplo, às 4 da manhã, depois de o Daniel ter acordado pela enésima vez, a minha voz soa como um disco vinil com as rotações trocadas, quando me volto para o Bruce: "vvvvvvvvvaaaaaaaaai lááááááá tu por favozzzzzzzzz").

Tuesday, October 30, 2007

Um vaivém especial

Tenho poucas memórias de infância, mas sei que fui feliz. Lembro-me do carinho e paciência que todos tinham para comigo por ser a filha caçula. Lembro-me dos deliciosos bolos e sobremesas de família que agora estou a tentar "recriar" pela minha própria mão. E, finalmente, lembro-me de a casa estar sempre cheia e a mesa sempre posta. Não só éramos uma família numerosa (avó, pais e seis filhos), como tínhamos a porta e o coração sempre abertos. Tios, primos, vizinhos e amigos estavam constantemente a entrar e a sair, entre conversas que se alongavam pelo serão fora. Silêncio, só mesmo durante a noite (e isto se conseguíssemos alhear-nos de um ou outro ressonar...).

Vinte anos e catorze netos depois, os meus pais já se mudaram para um apartamento maior , mas o vaivém continua a aumentar exponencialmente. Por este andar, vão ter de comprar um prédio inteiro... O Bruce, que só tem uma irmã e estava habituado à paz e sossego de Sligo, continua a ficar surpreendido cada vez que vamos a Castelo Branco: "Isto é uma autêntica estação de comboios, com gente a chegar e a partir!".

Wednesday, October 24, 2007

Como imaginar um sorriso

É certo e sabido que são frequentemente as ideias mais simples que chegam mais longe. Em 1993, Dave and Jill Cooke, do País de Gales, iniciaram um programa de envio de presentes e mantimentos para orfanatos na Roménia. Nesse mesmo ano, uma organização cristã, "Samaritan's Purse", apadrinhou o projecto, servindo-se de caixas de sapatos para entregar prendas a crianças na Bósnia. E, como por magia, essas caixas de sapatos, decoradas com papel de embrulho e repletas de bonecos, material escolar e produtos de higiene, tornaram-se autênticos baús de pequenos tesouros. Só no ano passado, sete milhões e meio de crianças necessitadas descobriram o que é receber um presente pelo Natal.
( http://www.breakingnews.ie/ireland/mhmhmheyojmh )

Tenho uma amiga que alguns anos atrás fez trabalho de voluntariado num orfanato na Rússia e, apesar de ter sido já em pleno Verão, os meninos continuavam a falar dos brinquedos que tinham recebido seis meses antes...

Sei que ainda há pouco reclamei por as lojas já transpirarem de decorações natalícias, mas a verdade é que uma operação desta envergadura precisa de se iniciar com bastante tempo de antecedência. Ontem, senti um gozo especial ao preparar uma caixa com prendas para um rapazinho que nunca chegarei a conhecer. Mas fico contente só de imaginar o seu sorriso...

Monday, October 22, 2007

Era uma vez...

Um dos meus planos para a licença de maternidade era escrever histórias para o Daniel. A verdade é que já estou em contagem decrescente para o regresso ao trabalho (falta menos de 1 mês, snif, snif) e ainda não escrevi um parágrafo. Decidi então começar a ler The Complete Fairy Tales dos irmãos Grimm em busca de inspiração.

Confesso que estou a desfrutar imenso desta viagem pela infância, mas fiquei simultaneamente surpreendida por só agora me dar conta da crueldade de alguns destes contos. Apesar de ainda só ter lido 20 (a obra completa inclui 279), encontrei
pais que abandonam os filhos ("Hansel and Gretel", "Rapunzel") ou que decidem assassiná-los ("The twelve brothers", "Faithful Johannes"). São autênticas histórias de terror, e seria de esperar que as criancinhas acordassem a meio da noite com pesadelos. E, no entanto, elas parecem ficar em paz porque, no fim, "os bons" ficam bem. Estranho, não é?

Thursday, October 18, 2007

Chuack!

Uma das diferenças que mais saltou à vista quando vim pela primeira vez à Irlanda foi a forma de cumprimento e a distância física entre pessoas. Habituada à cultura beijoqueira de Portugal e ao bater no braço do interlocutor para chamar à atenção, levei algum tempo até aprender a dizer "hello" sem mais e a conversar sem invadir o espaço pessoal do outro ("área em torno de uma pessoa, cuja violação por outra pessoa produz desconforto ou mal-estar", segundo Goldstein). O Bruce, por sua vez, teve de aguentar estoicamente 15 pares de beijos e outros tantos apertos de mão cada vez que ia a Portugal e tínhamos um jantar de família ou de amigos.

Quando estava já resignada ao higiénico cumprimento irlandês, eis que a situação muda. Passo a explicar: a Irlanda, até há pouco considerada um país de emigrantes, tornou-se destino de imigrantes, graças à sua properidade económica. Enquanto há uns anos era uma ilha de caras pálidas, em que quase toda a gente falava a mesma língua, agora está repleta de cores e sons de todo o mundo: polacos, brasileiros, chineses, espanhóis, franceses, sul-africanos, etc... Como consequência, já ninguém sabe como se cumprimentar! Assim que vemos um amigo ou conhecido vindo em nossa direcção, a nossa actividade cerebral aumenta exponencialmente, enquanto tentamos decidir se devemos simplesmente dizer "hello", se dar um abraço, um ou dois beijos,o que tem tendência a variar consoante a nacionalidade, faixa etária, grau de intimidade e o tempo que estivemos sem nos ver. É de se ficar exausto ainda antes de começar o diálogo!

P.S. - Acho que o Daniel nasceu com o "gene" do beijinho português. Ultimamente, quando lhe pego ao colo, chucha nas minhas bochechas como se fossem uma chupeta:-)

P.S.S. - A propósito de beijos e bebés, aqui está um clip bem cómico:

http://www.ffk-wilkinson.com

Saturday, October 13, 2007

Natal arrepiante

Estamos em meados de Outubro e as lojas estão cheias de teias de aranha, esqueletos nas paredes e bruxas nas vitrines, dado o Halloween já estar próximo. Confesso que não sinto grande interesse por esta festividade (o nosso Carnaval é bem mais simpático, colorido e diversificado), mas tem uma vantagem: é a única altura do ano em que consigo comprar abóbora para pôr na sopa!

No entanto, qual não foi o meu espanto quando encontrei no supermercado fantasmas esfarrapados e pálidos vampiros lado a lado com "Pais Natal" barrigudos e anjinhos ternurentos. Será que mais ninguém repara no ridículo, no absurdo do situação? Uma coisa de cada vez! O Natal ainda vai longe e já se começa a infiltrar tanto nas nossas vidas, que quando Dezembro chegar, estaremos indiferentes ou fartos das decorações...

Tenho pena que hoje em dia haja a tendência para apressar tudo - acabamos por viver antecipadamente o futuro e deixamos o presente para trás.

Thursday, October 11, 2007

Verão azul...


Aqui fica está foto só para não esquecer o Verão, agora que o frio bate à porta.

Wednesday, October 10, 2007

De volta

Desculpem mais uma vez o meu silêncio prolongado. Passei um mês em Portugal a matar saudades e, desde que regressei, o Daniel está "mar de mimo" (poço era pouco para descrever o comportamento dos últimos dias). Agora que já está a voltar lentamente à rotina, vou tendo uns minutinhos para olhar para o lado.

As férias foram óptimas, no entanto, tirando a primeira semana que passámos com os meus pais em Monte Gordo, não parámos um minuto. Foi uma autêntica "volta a Portugal com um bebé", digna de camisola amarela: Algarve, Lisboa, Castelo Branco, Alcains, Coimbra... Com quatro meses, o Daniel já "pode dizer" que andou de avião, alfa pendular, metro e autocarro. Nada mau! Foi na praia que deu a sua primeira gargalhada ao olhar para o moinho de vento comprado pelos avós e foi com os treze primos que aprendeu a ser mais sociável. No entanto ainda mantém o seu carácter essencialmente reservado e circunspecto. Sorrisos, só para quem merece:-)

Thursday, August 23, 2007

A porta do lado

Faz este mês um ano que nos mudámos para esta casa e só ontem - sim, só mesmo ontem - conhecemos os nossos vizinhos do lado.

Quando o Bruce e eu viemos viver para este bairro novinho em folha, estávamos casadinhos de fresco e o mundo girava à nossa volta... Concentrámo-nos em tornar a nossa casinha num verdadeiro lar e mal nos apercebemos de que havia gente a viver ao pé de nós. O facto de não ouvirmos qualquer ruído vindo da casa do lado ajudou a prolongar esta ilusão. Entretanto, entrámos no Outono (que cá chega mais depressa do que em Portugal...) e as tardes ficaram mais curtas. Quando regressávamos do trabalho, já era de noite e os vizinhos tinham as cortinas corridas (são tão pesadas que só deixam passar um fio ténue de luz). Culpámos então a escuridão e o frio (em vez da nossa preguiça e cobardia) e continuámos sem bater à porta do lado.

O tempo foi passando e o acanhamento foi crescendo de forma proporcional à minha barriga. Planeava fazer uns biscoitos para lhes oferecer, mas era sempre para amanhã... Quanto mais adiava o encontro, maior era a caixa de bolinhos que tencionava fazer, até que cheguei ao meu limite: teria que passar dias inteiros à volta do forno para compensar a demora.

Anteontem, reparei que ainda tínhamos bastante bolo de anos do Bruce, que tinha sobrado do dia anterior e tomei uma decisão. Cortei uma porção generosa e bati à porta dos nossos vizinhos. Não eram biscoitos, mas o John - descobri que era esse o seu nome - não pareceu ficar desapontado. No dia seguinte, quando regressei do meu passeio habitual, encontrei uma cartão de agradecimento no nosso correio e um convite para ir passar o serão com os nossos vizinhos. E foi apenas ontem que nos apresentámos devidamente (o Bruce e o Daniel foram comigo e a namorada do John, Marieta, estava também em casa). A conversa surgiu naturalmente e descobrimos que temos bastante em comum... Neighbours at last!

Thursday, August 16, 2007

Livros

Quem folhear os livros que estudei na faculdade, é capaz de ficar um pouco... escandalizado. Estão sublinhados a cores, com inúmeros comentários (a caneta!), com as pontas dobradas nas passagens mais relevantes. São poucos os espaços deixados em branco, o que torna difícil a releitura, mas a minha intenção era mesmo essa: espremer o conteúdo e ficar com uma versão concentrada que era mais fácil de abordar e de reter na memória.

Acho que o único exemplar que quase escapou ao meu graffiti livresco (com anotações minúsculas a lapiseira) foi Songs of Innocence and Experience de William Blake. Não foram os poemas que me impediram de atacar as suas páginas (afinal, as palavras gostam de companhia...), mas sim as suas iluminuras fantásticas.

Talvez por estar habituada a deixar a minha marca nos livros, gosto imenso de comprar obras em segunda mão. Além disso, são bem mais baratas e revertem geralmente para fundos humanitários (são as chamadas charity shops, bastante populares na Irlanda). De início, ficava tentada a adquirir livros que pareciam novinhos, mas vim a descobrir que isso se devia não ao cuidado do leitor, mas ao carácter desinteressante do exemplar em questão. Mudei de estratégia: agora procuro lombadas cheias de pregas e cantos dobrados... São vestígios de horas bem passadas. Um desses exemplos foi Gentlemen and Players de Joanne Harris: um livro de suspense que se devora de um só fôlego!

Tuesday, August 14, 2007

Baby shower

Na sexta-feira passada fui a um baby shower pela segunda vez (o primeiro foi o meu, para grande surpresa minha). É uma tradição muito popular em países como a África do Sul (onde nasceu a minha amiga Maria) e apesar da sua inevitável faceta comercial, não deixa de ser uma ocasião simpática e de trazer prendas muito úteis para o futuro bebé. Tanto quanto sei, tenta-se que seja uma festa surpresa que ocorre geralmente nas últimas semanas de gravidez e se organiza somente para o primeiro rebento. Depois deste "rito de iniciação", assume-se que a mulher já está suficientemente instruída e apetrechada para enfrentar a maternidade de novo, se assim o entender.

Cada amiga da mum-to-be traz um doce ou um salgado, presentes, dicas e passa-se o serão em alegre - e frequentemente barulhenta - cavaqueira. Foi no meu baby shower que descobri a existência dos práticos nappybags, que presenciei um debate aceso entre as partidárias das fraldas Huggies Vs Pampers e me senti mamã ainda antes de o Daniel ter nascido.

Apesar de se tratar de uma celebração entre mulheres, a verdade é que acaba por dar origem a um baby shower masculino improvisado: juntam-se maridos e bebés na casa do futuro papá que, inevitavelmente, acaba por ser bombardeado com as histórias de longas noites sem dormir, de birras e afins.Comparativamente, parece um pouco injusto, dirão vocês... Qual quê! Injusto é não poder dividir as dores de parto!

Wednesday, July 18, 2007

Marcas de amizade

Quando vim para a Irlanda pela primeira vez, não saía de casa sem levar um pequeno bloco de notas onde apontava palavras em Inglês que aprendia. Aos poucos apercebi-me de que, ao memorizar um novo vocábulo, acabava por associá-lo à pessoa que mo tinha ensinado (e frequentemente também ao contexto em que tinha surgido). O meu vocabulário inglês está povoado de memórias do meu ano de ERASMUS.

Também o meu português foi enriquecido pelos meus amigos: dou comigo a usar expressões que me fazem lembrar tanto deles! É quase uma forma de matar saudades...

Mas os meus amigos não estão só nas minhas palavras: estão na minha comida e nos meus gestos. A forma como cozinho, os ingredientes que uso e as receitas que sigo são o acumular de experiências que troquei com as minhas companheiras de casa e de jantares oferecidos por quem me quer bem. Cada receita aprendida tomou o nome da pessoa que me ensinou: "Lasanha de Vegetais à Ritinha", "Sopa de cenoura da Connie", "Paté da Paula", "Batatas a murro da Idalina", "Beringelas à moda da Susy", "Mousse de laranja da Maria do Rosário"... E são bem mais saborosas que os pratos de qualquer revista de culinária.

Monday, July 16, 2007

Postais

Na Irlanda há uma forte tradição de envio de postais que nem mesmo a internet parece ter feito esmorecer. Postais de aniversário, de noivado, de casamento, de Natal, de Páscoa, mas também outros para celebrar o nascimento de um bebé, a reforma, a mudança de emprego ou de casa, a obtenção da carta de condução, cartões de agradecimento ou desejando as melhoras... A lista parece infindável. E é de facto simpático ainda receber correio que não seja publicidade ou contas para pagar.

Mas sabe a pouco. Isto porque, segundo a mentalidade irlandesa, basta assinar ou, quando muito, escrever uma frase para que o postal fique "completo". Não se gastam palavras, nem tempo, e o remetente fica com a noção de missão cumprida. Apesar de estar agradecida, sinto-me defraudada como se um amigo que há muito não via tocasse à minha porta para dizer olá e depois, simplesmente, desse meia volta e fosse embora sem mais. Decididamente, continuo a preferir postais à portuguesa... Mais escassos, é certo, mas transbordantes de palavras.

P.S. - Por cá, também é frequente os postais de aniversário trazerem o número de anos estampado na capa. Há tempos entrei numa loja que tinha vários para celebrar os 100 anos! Espero um dia vir a receber um desses...

Thursday, July 05, 2007

Gostos não se discutem...

A minha família, apesar de não ser tão dotada como a célebre Von Trapp, não deixa de ter um certo carisma musical (quase todos cantamos afinados e/ou tocamos um instumento). Tive a sorte de começar a estudar no conservatório quando ainda era bastante pequena e a música sempre me acompanhou desde então.

Levei um ou dois anos a decidir-me por um instrumento. O mais conveniente era escolher um que já tivéssemos lá em casa: acordeão, violino, flauta ou harmónica. Acabei por se puxada para as cordas e em pouco tempo estava a serrar aos ouvidos da minha professora, pais, irmãos e vizinhos (aqui fica registado o meu obrigada a todos aqueles que, pela sua paciência, não me impediram de continuar a tocar...).

O violino é, provavelmente, dos instrumentos mais ingratos durante os primeiros anos de aprendizagem. Leva muito tempo para que os dedos e o ouvido encontrem a afinação correcta e para que a mão direita descubra a tensão certa do arco sobre as cordas . A minha professora tinha um método curioso para desencorajar a desafinação: por cada nota desafinada, ficávamos a dever-lhe um pastel de nata. Se bem que nunca cheguei a redimir a minha dívida (g)astronómica , cada vez que comia um pastel de nata ficava com peso de consciência por não ter estudado mais...



Muitos anos depois, vim a descobrir que saber tocar violino, para além da satisfação pessoal e das muitas oportunidades que me proporcionou, é a cura para o choro desalmado do Daniel. Sim, é verdade, basta começar a tocar e ele automaticamente cala-se, relaxa e, geralmente, pouco depois fica a dormir (hoje, só de ver o violino, ficou logo mais calmo). O pai já tentou o mesmo truque com o piano - em vão... O Daniel parece ser bem mais decidido do que a mãe dele em termos musicais: ainda só cá anda há pouco mais de um mês, e já quer ser violinista:-) Se não acreditam, é só olhar para a prova evidente desta fotografia: já está em posição para tocar, só falta o instrumento...

Tuesday, July 03, 2007

Fome de sol

Tinham dito que este Verão ia ser dos mais quentes dos últimos anos: eu acreditei. Fiquei feliz só com a expectativa de poder aproveitar a licença de parto para dar longos passeios com o Daniel. Abril chegou cheio de sol e dissipou quaisquer dúvidas que pudesse ainda ter: se a Primavera era assim, estava garantido o Verão.

Não, não estava.

Maio e Junho foram os mais cinzentos que já vi e Julho continua a afogar as minhas esperanças. Nem posso consolar-me a pensar no céu azul de Portugal, porque parece que também aí o clima anda do avesso. Como se já não bastassem os políticos, agora o tempo também não cumpre promessas!

Quem me vende uns minutos de sol?

Friday, June 29, 2007

I feel good

Depois de 7 meses a usar calças de grávida, regressei aos meus velhos jeans. Yupi! Foi tão frustrante sair do hospital a usar as mesmas calças da gravidez: foi-se o bebé, ficou a barriga, e que barriga! Um autêntico colchão de água... É claro que neste último mês estive mais do que ocupada a ser mãe para perder muito tempo a pensar nisso, mas a verdade é que não deixava de ser um golpe para a minha auto-estima ter de encarar todas as manhãs um umbigo a nadar num mar de gelatina. Numa altura em que ainda me estou a adaptar às transformações radicais da minha vida (entre 2006 e 2007, mudei de país, de profissão, casei-me e já sou mãe), sabe bem ao menos voltar a ter a barriga no lugar.

Thursday, June 28, 2007

Enquanto o Daniel dorme...

Ou melhor, enquanto ele não acorda, tento desenferrujar os dedos e as palavras. Ontem recebi o primeiro sorriso "voluntário" do Daniel - até então, ele só sorria durante o sono. Não sei se todos os bebés de 1 mês serão assim, mas os primeiros minutos, logo a seguir a adormecer, passa-os a dar "gargalhadas mudas" - o que é irá dentro daquela cabecinha de cabelo miúdo? Porém, quando está desperto, fica sério, sério, como se sentisse já a responsabilidade de crescer. Com o tempo, espero que descubra quão importante é saber sorrir acordado, mesmo quando se tem pela frente desafios tão grandes como aprender a falar e a andar.

Tuesday, June 19, 2007

Recomeço

É difícil voltar a escrever, depois de tantos meses de silêncio. Parece que depois de me casar só faltava acrescentar "e viveram felizes para sempre"... Mas a vida continua. Não parei de escrever por falta de novidades: nestes meses mudei de emprego, participei em outro musical, engravidei e já sou mamã desde 24 de Maio. Então o que me fez calar? O computador! Depois de passar 8h por dia a trabalhar em frente ao monitor, extremamente ocupada, quando chegava a casa já não tinha paciência para ligar o bicho de estimação do meu marido para continuar o blog.

Agora que já estou em licença de parto há mais de um mês, e passo 24h a cuidar do Daniel, tenho necessidade de voltar a falar escrevendo, e de receber respostas que vão para além de um "aaaaaaaa" e de um "buá" (ainda que os "aaaaaaaaaaa"s do Daniel sejam muito expressivos, e os "buá"s muito... absorventes).

Pronto, o blog está oficialmente "reaberto". Agora já só falta contar com a colaboração do Daniel para que mamã possa ter um tempinho para escrever...

Friday, October 06, 2006

"Slices of life"

Muito aconteceu desde a última vez que aqui escrevi... Tantos episódios insólitos que queria ter apontado e que, no entanto, fui adiando, por falta de tempo e de motivação. Como aquela vez em que, ao atravessar uma das pontes de Limerick, nos deparámos com um cisne parado na estrada, causando uma longa fila de trânsito... E ninguém se atrevia a aproximar-se do bicho (sim, porque os cisnes são criaturas belas e elegantes, mas bastante temperamentais). Felizmente, não estava do nosso lado e pudemos seguir viagem. Fiquei, no entanto, sem saber se o cisne se dignou a mover por si só ou se alguém conseguiu persuadi-lo a levantar vôo.

Outro episódio curioso passou-se quando estava em casa, a jantar à pressa (tínhamos ensaio para o musical nesse serão) e alguém bateu à nossa porta. Como ainda não conheço os meus vizinhos (são tão discretos e sossegados, que às vezes me pergunto se existem mesmo), estava à espera que fossem ou as testemunhas de Jeová ou a companhia telefónica que não se cansa de anunciar novas promoções. Ponho uma cara apressada, tenho a ladainha do costume na ponta da língua... Mas quando abro a porta vejo quatro crianças que me desafiam em uníssono: "Dás-nos 50 cêntimos se recitarmos um poema?". Fiquei desarmada. Foi-se a pressa, abriu-se um sorriso...e a carteira:-)

Friday, September 15, 2006

Veneza tem mais encanto...
































...na hora da despedida. Só pudemos passar uma tarde na cidade mágica porque o nosso vôo partia nessa mesma noite para Dublin, mas foi uma experiência maravilhosa. Faltam-me as palavras quando tento descrever a praça de S. Marcos. As arcadas com lojas e cafés que, na sua maioria, preservam a decoração original dos diferentes compartimentos do palácio, a torre sineira (foto em cima), a basílica (foto em baixo), música clássica ao vivo, tudo contribuía para criar uma atmosfera única.

Tenho pena de não ter imagens do interior da basílica. Fartei-me de ginasticar o pescoço: ora ficava fascinada pela decoração das abóbadas (um autêntico céu de ouro), ora admirava o pormenor dos mosaicos que ornavam o chão.

Passámos o resto da tarde a passear pelas ruelas, a atravessar as pontes e... a ver passar gôndolas:-) Depois do cruzeiro estávamos demasiado pelintras para pagar 80 euros por 30 minutos de romantismo. Fiquei completamente cativada pelas peças de vidro murano. Estava familiarizada com aquelas medalhas venezianas coloridas, mas nada me fazia esperar as peças de arte que vi em exibição em várias lojas. Lindo! Não resisti a comprar um colar feito do dito vidro...

Finalizámos a lua-de-mel com chave de ouro: um passeio de barco que nos deu uma boa ideia da cidade. Agora só me resta dizer: quero mais!!!!

Tuesday, September 12, 2006

Corfu: um pequeno paraíso





























O dia em Corfu foi passado numa longa caminhada por trilhos pouco explorados, o que nos permitiu fugir aos locais "para turista ver". Soube tão bem o contacto com a natureza, quase sempre à sombra, e com paragens suficientes para recuperar forças e refrescar a garganta.

Vimos recantos absolutamente paradisíacos. Cada nova praia a que chegávamos era ainda mais encantadora que a anterior... A água era límpida ao ponto de parecer irreal. Lindo! O que eu dava para estar lá neste momento e esquecer o telefone que teima em tocar.(Provavelmente repararam que não tenho escrito nada, tenho estado extremamente ocupada no trabalho e fora dele....).

Durante a maior parte do percurso, pudemos observar a costa albanesa, ali tão pertinho. O contraste era gritante: do nosso lado, dominava o verde, enquanto que do outro a paisagem era agreste,nua e triste. E no entanto, a distância era mínima, quase "nadável":-)

Passámos uma hora a refrescarnos na última praia que visitámos. A água era morna, apetecível... Mas não há bela sem senão: os seixos tornaram a experiência um pouco dolorosa. Ainda assim, valeu bem a pena!

Thursday, August 31, 2006

Knossos


Terceira paragem: Creta

A manhã foi passada nas ruínas do palácio Knossos, centro da civilização minóica. No seu apogeu, chegou a ter 1300 divisões, alcançando 5 andares de altura em partes, com um sistema de água e esgotos extremamente avançado. Hoje, para além destas duas imagens e um ou outro espaço restaurado, visitar o palácio é um exercício de imaginação para ver o que já não está lá. São migalhas de uma civilização intrigante.

A segunda imagem, a sala do trono, foi a parte que mais me despertou a atenção... O trono é particularmente pequeno e estreito e há quem defenda, por isso, que era ocupado por uma mulher. Esta teoria não é a mais popular, mas é sem dúvida a mais curiosa.

A tarde foi passada no museu de Creta... As peças eram interesantes, mas a visita tornou-se cansativa porque a sua disposição era pouco apelativa e a iluminação também não ajudava. Ainda assim, gostei particularmente dos frescos minóicos, que parecem resultar de um cruzamento entra a cultura grega e egípcia... Infelizmente não tenho fotografias.

Tuesday, August 29, 2006

Um cheirinho da Turquia



















Segunda paragem: Kusadasi e Éfeso






Talvez porque as expectativas não eram tão altas, Éfeso impressionou-me deveras e fiquei com vontade de regressar à Turquia. Hoje é uma cidade em ruínas, mas ao passear pela sua avenida principal, rodeada de colunas, fontes, templos, casas, banhos públicos, biblioteca, anfiteatro sente-se que um dia aquele lugar foi um centro cosmopolita e cheio de vida.

Estava imenso calor, mas ainda assistimos a uma curta representação à entrada da biblioteca (imagem à esquerda) , recriando personagens do império romano. O que mais impressionou foi o enorme anfiteatro, com capacidade para 25000 espectadores, que ainda hoje é utilizado em raras ocasiões (imagem à direita). É difícil imaginar que Julio Iglesias e Madonna actuaram no mesmo local onde S. Paulo pregou às multidões...

Mais tarde, regressámos a Kusadasi, onde não escapámos a uma sessão de marketing de tapetes turcos. Fechados numa sala ampla com ar condicionado, o nosso grupo teve que digerir 45 minutos de tapetes a serem desenrolados. De cada vez que um deles era posto aos meus pés e me diziam o preço, tinha medo de o estragar só de olhar para ele... magníficos, sem dúvida, mas mal empregues para tapete. A parte mais simpática da visita foi o momento em que nos ofereceram chá de maçã turco. O único problema foi não poder saborar verdadeiramente a bebida porque a cada instante julgava que ia entornar o copo, deixar uma mancha e ter de sair de lá com um tapete às costas (hmmm, se calhar a bebida era mesmo parte desse plano).

Antes de regressarmos ao barco, passámos pelo mercado. Tanto para ver! Mas tivemos literalmente de fugir de lá porque os comerciantes não nos deixavam em paz. E compre, e faço desconto, e venha aqui...socorro! Não podia admirar nada sem que um vendedor se colasse a mim e me bombardeasse com mais produtos . Acabámos por só comprar chá e "turkish delight".

Monday, August 28, 2006

Love Boat

"Splendour of the Seas " não impressiona tanto por fora como por dentro: 11 andares, inúmeros bares, lojas, duas piscinas, jacuzzi, sauna, ginásio, mini-golf, "rock climbing", SPA, discoteca, grande sala de espectáculos, casino, sala de conferências, galeria de arte, biblioteca, etc... Já estão com inveja? Então já ficam sem ela, porque a primeira parte do barco que eu vi foi a enfermaria!

Tive uma gastroentrite nada simpática e como o diagnóstico não era defintivo, eu e o Bruce ficámos de quarentena por dois dias, fechados no quarto (já estou a imaginar os vossos sorrisos marotos). Ainda assim tivemos sorte porque não perdemos nenhuma das excursões, já que esses dois dias foram passados em alto mar. A cabine era bastante espaçosa , com uma enorme janela, a 2 metros acima das ondas preguiçosas do Mediterrâneo.

No segundo dia, à noite, tivemos autorização para sair e comemos finalmente na luxuosa sala de jantar, onde tínhamos já lugares marcados. Durante o cruzeiro, partilhámos a mesa com uma família americana muito conversadora (casal e dois filhos adolescentes) e um par italiano... que mal conhecemos, já que cada dia chegavam um pouco mais tarde, até os deixarmos de ver de todo. Estavam sempre bem-dispostos, mas os seus estômagos italianos recusavam-se a jantar às 18h30m.

Primeira paragem: Atenas

Há já muito que queria visitar a Grécia, especialmente depois de ter estudado Filosofia. Estava ansiosa por passear pela Acrópolis e ver as cariátides face a face. Apesar de ser um espaço carregado de história, o peso do calor e da cidade gigantesca em redor tapavam o seu encanto. Estava no cimo do monte, ao ar livre, e senti-me claustrofóbica: prédios a perder de vista, sem um pontinho verde, com ruas anoréticas e cinzentas. Que me perdoem todos aqueles que gostam de Atenas, mas a cidade fez-me pena. Faz-lhe falta Sócrates...

Friday, August 18, 2006

Mnham, mnham...



A sala de jantar estava linda, com os arranjos de flores, as velas acesas e música (jazz) ambiente... E a comida estava óptima - aqui fica o menu para vos abrir o apetite:

Abacaxi com frutos do mar e molho rosa
Creme de legumas
Tranches de cherne com molho de lagosta
Perna de porco assada com puré de maçã
Tiramissú

Passou num instante... Entre cada prato íamos distribuindo as prendinhas (canetas e leques) e lá chegou o momento do mini-concerto. Estivemos mesmo a ponto de não ir para a frente com a ideia. A música que tínhamos planeado apresentar não estava ainda bem estudada e à última da hora escolhemos outra - uma peça alentejana com um arranjo giríssimo, mas bastante aguda. Com os nervos, saiu-me a voz esganiçada (desculpas...), mas o concerto foi para a frente.

Os meus sobrinhos e especialmente as minhas sobrinhas apresentaram músicas da Floribela; o meu pai, irmãs e companhia cantaram juntos, e finalmente o pai e a irmã do Bruce e um amigo nosso trouxeram ainda mais canções. O momento alto do concerto foi, contudo, "o samba da titi Luísa" cantado pela minha irmã Teresa, pelo João e pela pequena Carolina:-) Derreteram corações! Quem me dera poder pôr aqui a gravação...

O resto do serão foi passado a dançar e a comer. Os convidados irlandeses ficaram tão maravilhados com a apresentação do buffet (cá não se vê nada disso) que estiveram meia hora a contemplá-lo e a tirar fotos, até que o Bruce e eu tivemos que insistir que sim, era mesmo para comer:-)

Nota: Não percam o próximo capítulo... Lua-de-mel!
E mais novidades: vamos voltar a entrar num musical... "It's Broadway!" está a caminho.

Wednesday, August 16, 2006

Copo d'água


Saímos da igreja sob uma chuva de pétalas de rosa. Como estava imenso calor, tirámos a foto de grupo e seguimos logo para o hotel em busca de refrescos e ar condicionado.

Quando lá chegámos, o espantalho que tínhamos contratado já estava a postos para entreter as crianças... Mas espantado ficou ele (e eu) quando viu que as crianças não lhe prestavam atenção nenhuma! O pobre coitado acabou por dirigir-se aos adultos, enquanto eu tentava reunir a criançada na sala das brincadeiras. E finalmente lá foram entreter-se com pinturas e afins...

Entretanto, no hall do Hotel Colina do Castelo, comia-se e ouvia-se música deliciosa tocada por dois amigos meus, a Susana (violino) e o Rui (acordeão), que deram um toque celta à nossa festa... E, claro, a sessão das fotos com os convidados começou. Confesso que não foi difícil, porque não tivemos que aguentar estoicamente os nossos sorrisos sob um sol abrasador, como fazem geralmente os noivos no Verão ( aliás, esposados - quem esteve no casamento, sabe bem o motivo desta correcção:-) Optámos tirar as fotos no interior do hotel, porque não queríamos que os convidados irlandeses ficassem com a pele cor de lagosta (o facto de nós estarmos com fatos pesados e cheios de calor não teve, obviamente, nada a ver com o assunto).

Decidimos mais uma vez ser pouco ortodoxos e cortar o bolo antes do jantar: assim todos puderam saboreá-lo antes de o estômago estar demasiado cheio... E resultou bem! Enquanto os convidados comiam, escapulimo-nos para o Castelo, tirámos mais umas fotos e ainda regressámos a tempo de fazer um mini-ensaio para o concerto dessa noite.

(to be continued...)

Monday, August 14, 2006

Marchar, marchar

Decidi acabar de uma vez com o suspense. Acreditem ou não, tinha 114 ganchos no cabelo! O Bruce deu-se ao trabalho de os contar no dia seguinte. Chega de penteado, ou nunca mais chego ao altar.

O meu cunhado Amândio ofereceu-se como motorista e a minha afilhada Maria, menina das alianças, veio comigo no carro. Não fomos pelo caminho mais directo para igreja, para dar tempo a que os convidados lá chegassem antes. Ainda assim, estive ainda algum tempo à espera que os últimos entrassem e quando já me dirigia para a porta da sé, apercebi-me de que... faltava o meu pai:-) Mal ele chegou, ouviu-se o início imponente de "Trumpet Voluntary" tocado pelo órgão e pelo trompete. Estou agora mesmo a ouvir a marcha de novo e sinto-me a reviver a entrada.

(Podem ouvir a marcha no seguinte site - a primeira da lista:
http://www.stclementchurch.org/weddings/music.html


Pé direito, pés juntos, pé esquerdo, pés juntos. A peça é relativamente longa, e o Jorge, o meu amigo organista, tinha-me avisado para entrar devagar... Mas devia ter ensaiado com o meu pai e a Maria. Entrámos os três a marchar em ritmos diferentes e quando levantei os olhos e vi os convidados, deu-me um "baque" e achei que ia tropeçar nos meus saltos altos (a que, de resto, não estou habituada). Felizmente isso não aconteceu, e nos últimos 8 metros já ia pé direito, pé esquerdo, pé direito, pé esquerdo, accelerando, que o altar ainda parecia longe.

E levanta-se o véu. Curiosamente, a partir daí senti-me viver fora de mim. Tinha tanto medo que algo corresse mal, dadas as diferenças linguísticas (a cerimónia foi em português e inglês) e religiosas (eu sou católica, o Bruce é protestante). No entanto, correu tudo melhor do que tínhamos planeado. A música foi angelical, as homilias verdadeiramente inspiradas (uma em português pelo meu tio Ilídio, padre, e outra, pelo pastor protestante, nosso amigo, em inglês) e o Bruce e eu não nos enganámos nos votos, nem nos esquecemos das alianças. Foi lindo!

Aqui fica uma benção apache que colocámos na contra-capa do livrinho da cerimónia:

Now you will feel no rain, for each of you

will be shelter for the other.

Now you will feel no cold for each of you

will be warmth to the other,

Now there is no more loneliness for you.

Now you are two bodies, but there is only

one life before you.

Go now to your dwelling place, to enter into

the days of your togetherness.

And may your days be good, and long

upon the earth.

Thursday, August 10, 2006

Terra Firme


Regressei de lua-de-mel no domingo passado (cruzeiro às Ilhas Gregas), mas só agora começo a ter os pés assentes em terra firme. Quando acontece tanto em tão pouco tempo, o coração precisa de digerir lentamente a realidade. Ainda o tenho a transbordar de momentos, memórias e palavras.

Os dias anteriores ao casamento passaram num abrir e fechar de olhos. Dormi bastante bem na véspera e como a cerimónia foi só à tarde, não tive de me levantar muito cedo (sim, uma noiva tem direito a ser preguiçosa;-). Agora adivinhem quantas horas passei no cabeleireiro? Dou-vos uma pista: estive lá mais tempo nesse dia do que no resto do ano todo. Três horas! Valeu a pena quanto mais não seja porque tive direito a sentar-me numa cadeira de massagens enquanto me lavavam o cabelo... E confesso que fiquei muito satisfeita com o penteado (e assustada com o preço!). Mais um desafio: quantos ganchos tinha o apanhado? Fico à espera de comentários, digo para a próxima.

Saí do cabeleireiro já com o véu posto... Tendo em conta que estava ainda de calças de ganga, o conjunto era, no mínimo, invulgar. E foi assim que fui buscar o meu ramo de orquídeas e regressei a casa, o mais sorrateiramente possível, dadas as circunstâncias... Para chegar ao meu quarto antes que os convidados me vissem.

Apertar os todos botões do vestido levou o seu tempo, mas ainda consegui ficar arranjada para tirar as fotos da praxe no quarto. Não tenho paciência nenhuma para poses e os fotógrafos, como já tinham sido avisados, não me torturaram muito :-) Chegada a hora, e como não queria mais de 20 minutos de atraso, comecei a pedir ao convidados para irem para a igreja. Os nervos começaram a apertar e acho que no fim estava quase a enxotar as últimas pessoas que ainda estavam (naturalmente) agarradas aos maravilhosos pastéis de carne da minha mãe... Peço desculpa se fui demasiado brusca.

E por enquanto o relato fica por aqui... Assim que puder continuo. Infelizmente ainda não tenho fotos do casamento, mas fica aqui uma de que gosto particularmente, tirada por um amigo nosso, Ian Collins.

Friday, July 21, 2006

Férias

Parto para Portugal já neste domingo e não terei oportunidade de actualizar o meu blog durante as próximas duas semanas - valores mais altos se levantam... Depois conto como correu o casamento e a lua-de-mel. Fiquem bem.

Nomes, caras e vozes

Sempre tive dificuldade em decorar nomes e já passei por várias situações embaraçosas à custa disso. A mais comum é quando me vejo na necessidade de apresentar duas pessoas e não me lembro do nome de pelo menos uma delas :-) O pior é quando chego a telefonar à pessoa errada por causa disso (ora Elsa e Célia não são dois nomes parecidíssimos?).

Para castigo, tenho aguentado estoicamente quando me chamam Carla, Teresa, Elisa, e Lúcia. Curiosamente, até cá na Irlanda me chamam Lucía, com um toque espanhol, a julgarem que estão a pronunciar o meu nome muito bem, sim senhor...

Mas caras, caras fixo eu bem. E ultimamente, por causa do meu trabalho, reconheço mais as pessoas pela voz. Há dois clientes em especial que ligaram tantas vezes que até já lhes conheço o respirar. Um, pela presunção e e antipatia, deixa-me com um nó no estômago, a outra, candidata à categoria de "cliente mais confusa do ano", dá-me dores de cabeça. Ontem, foi o dia desta última voltar a telefonar. Ainda que tentasse reproduzir o que foi dito, não conseguiria...

Fiquei com a cabeça às voltas e mal tive tempo de recuperar, já que tinha outra chamada à minha espera. "I am ringing from Portugal"- diz a voz do outro lado. Que alegria! O meu primeiro cliente português ao telefone! Para o produto em questão só está previsto o apoio técnico em inglês, francês e alemão, por isso não é de estranhar que a voz fique surpreendida quando lhe digo que falo português.

Para tornar a situação ainda mais agradável, o problema não era complicado e rapidamente pude arranjar solução. No fim, recebo "um abraço cheio de sol" e fico patrioticamente bem-disposta. Obrigada, senhor Evaristo!

Thursday, July 20, 2006

Era uma casa irlandesa, com certeza...

A casa onde tenho estado a viver já teve vários ocupantes diferentes desde que me mudei para lá em Janeiro. Inicialmente, eram só estudantes, mas assim que os exames acabaram, fiquei com companhia mais diversificada: uma fisioterapeuta desportista a preparar-se para o triatlo, um simpático naturista fumador de meia-idade, uma enfermeira indiana entre a tradição e a rebeldia, e uma irlandesa aventureira doida por coca-cola. E eu, bem, quem me conhece, que me defina...

Os nossos ritmos de trabalho, hábitos alimentares e comportamentos diferentes tornaram a casa mais colorida e desde logo a camaradagem entre todos criou um ambiente muito acolhedor. Ontem mimaram-me com um jantar de despedida (só parto no sábado, mas era a única altura em que podíamos estar todos juntos) e passámos o serão a saborear a comida e a conversa. E fiquei com saudades futuras desta comunidade tão heterogénea e hospitaleira.

É pena que a mudança implique isso mesmo - mudança e não acumulação.

Monday, July 17, 2006

E estás nervosa?

A contagem decrescente já começou: faltam 11 dias para o casamento. E, claro, a pergunta da praxe já me persegue: "E estás nervosa?". Para todos aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de me perguntar, aqui vai a resposta antecipada: "Não, estou feliz." Mas, é claro, que se eu continuar a ouvir isto todos os dias, acabarei por me sentir ansiosa. Por isso, tenham dó de mim e deixem-me saborear estes últimos dias de solteira...

O fim-de-semana passou a correr entre preparativos, compras e amigos. Entretanto, já começámos a transportar roupas e livros para a nossa casa nova - o nosso melhor presente de casamento. Não, não comprámos, é alugada. Passo a explicar: há cerca de um mês fomos jantar a casa de um amigo checo que vive em Ennis, e saímos de lá com a barriga e o coração cheios...

Ainda não tínhamos tido tempo para começar a procurar nada, e o Pavel, o nosso amigo, perguntou-nos onde íamos viver. Não, não sabíamos. "Vão comprar ou arrendar?" Por enquanto só estavamos interessados em arrendar. "Ai sim? E em que dia é que se casam?" Vinte e oito de Julho, respondemos. "Bem, eu regresso à República Checa no dia 29 de Julho e a casa fica livre..." Não, minha gente, não há coincidências: há Deus!

A casa é um mimo: novinha em folha, moderna, 3 quartos e o senhorio é uma simpatia. Mal podemos esperar por regressar de lua-de-mel... Quando puder, mostro uma foto. Sim, vamos mudar de terra - até agora temos estado em Limerick, mas as vivendas que lá vimos eram caríssimas e velhas, e sabe bem começar uma vida a dois com cheirinho a fresco...

Friday, July 14, 2006

Anything Goes

Estou com imensas saudades de voltar a cantar e a dançar: o musical de Cole Porter em que participei em Abril deixou-me com água na boca. Foi, de facto, uma excelente oportunidade para aprender a estar em palco e um grande desafio para decorar as coreografias. Houve momentos verdadeiramente anedóticos, em que cada um parecia ter uma coreografia diferente...para a mesma música. Graças à ajuda de elementos do grupo mais experientes e a uma preciosa máquina de filmar lá conseguimos acertar com os passos. E, imaginem, ganhámos o prémio nacional da melhor coreografia! Parabéns Niamh (a nossa coreógrafa), que puxou por nós até ao limite - valeu a pena!
Lá para meio de Agosto começam os ensaios para um espectáculo com músicas de Broadway e mal posso esperar, apesar de saber que durante um mês vou ficar sem tempo para mais nada...
Entretanto, se quiserem ver mais fotos do espectáculo, aqui têm o link:
http://www.limerickmusical.com



Friday, July 07, 2006

Tenho uma novidade...2

Sim, adivinharam: mais outro sobrinho a caminho. Parabéns Paula e Amândio! Minha gente, o que Portugal precisa é de mais famílias Mendonça: mais crianças = mais alegria, mais alunos, sangue novo, futuros trabalhadores... Estou convencida que a prosperidade da Irlanda assenta tanto na juventude da sua população, quanto no investimento na educação e desenvolvimento tecnológico.

Esta semana tenho estado bastante ocupada no trabalho e em casa, com os preparativos de última hora. Além disso, confesso que me tem faltado inspiração e sobrado preguiça, o que explica este silêncio. Graças a Deus, já tenho os pés de novo assentes na terra e deverei poder dançar no meu casamento (ah, Bruce, julgavas que te livravas...).

De resto, não há grandes novidades. O tempo por cá tem andado pesado e agora sinto na pele como é difícil aguentar 25º C num ambiente húmido... Pela primeira vez desde que estou na Irlanda desejei que chovesse. Não foi preciso esperar muito: hoje já choveu a cântaros:-)

Thursday, June 29, 2006

O meu pé esquerdo

Depois de terminado o musical, fiquei com demasiado tempo livre. Então, já que tinha persuadido o Bruce para cantar e dançar comigo em Anything Goes, decidi deixar-me levar para a equipa de tag rubgy. Este desporto não é violento (ao contrário do rugby tradicional), mas ainda assim a minha mãe ficou alvoroçada: "Imagina que partes uma perna, e vais engessada para o casamento, ou então ficas com um olho negro?!" As mães têm destas coisas. Mas também é verdade que quase sempre têm razão.

Escusado será dizer que, após esta conversa telefónica, comecei a ir com o pé atrás para os treinos. Comecei a faltar mais e já tinha decidido deixar de jogar 15 dias antes do grande dia.

Utimamente tenho tido os serões bastante ocupados e além disso estive um pouco adoentada na semana passada, razões mais que aceitáveis para não ir jogar tag rugby. Ironia das ironias: fiquei com uma tendinite no meu pé esquerdo exactamente quando não fazia qualquer desporto! Vá-se lá perceber... Na terça-feira tinha ido para a cama com uma leve dor no pé. Quando me levantei no dia seguinte, comecei a coxear e a cada vez que me apoioava do lado esquerdo, sentia desconforto. Continuei a andar e a insistir. Até que ontem à noite o pé inchou e a dor se tornou mais forte e agora não posso de todo fazer pressão sobre o meu pé esquerdo.

A minha vida tornou-se um verdadeiro jogo da macaca: vou para todo o lado ao pé coxinho. Entretanto, um amigo, dono de um restaurante, arranjou-me uma bengala que um cliente esquecera 5 meses atrás (ainda bem que há mais pessoas tão despistadas como eu... nem sabemos o bem que andamos a espalhar pelo mundo:-)

Ainda assim, a bengala não foi suficiente para subir os dois andares e chegar ao trabalho: tive de ir às cavalitas do Bruce. Confesso que não sei se regressei à infância ou se saltei para a terceira idade...

Tuesday, June 27, 2006

Adeus inesperado

Foi na semana passada, mas ainda não tinha tido tempo de escrever sobre esta despedida. OlaTunde, um amigo meu nigeriano que vivia já há 5 anos na Irlanda, viu-se forçado a regressar ao seu país de origem porque o visto expirava na sexta-feira. Tinha-o conhecido 3 anos atrás, quando cá estive em ERASMUS. A universidade inteira conhecia o seu enorme sorriso e a sua frase mais ouvida: "God is good".

Durante este tempo, Olatunde estudou na Universidade e depois fez de tudo um pouco. Até que se viu sem trabalho. Sem visto. E sem tempo.

Foi aflitivo vê-lo tentar empacotar 5 anos em pouco mais de duas malas. Os nervos impediam-no de fazer escolhas. Voltava as costas ao relógio de parede e ia distribuindo pelos amigos aquilo que não podia levar. A 20 minutos do último autocarro para Dublin, onde iria apanhar o avião para a Nigéria, Olatunde não conseguia deixar o seu quarto: uma e outra vez voltava atrás para trazer mais qualquer coisa. Tivemos de o puxar para o carro e arrancar para a estação, onde chegou a tempo de comprar o bilhete e tirar uma foto de despedida com os amigos.

Ontem voltei a olhar para a foto: o sorriso continua lá... atrás de lágrimas envergonhadas.
Fica bem Tunde.

Thursday, June 22, 2006

Lista de casamento

A pedido de algumas pessoas, deixo aqui o endereço electrónico da loja em que temos a lista de casamento, para aqueles que estão interessados em comprar uma prenda online. Por favor, não se sintam de todo na obrigação de o fazer, é apenas uma sugestão.

http://www.roches-stores.ie/pls/gift/gift0090.get_query


O nosso "registry number" é: 201884.
Também nos podem encontrar pelo nosso nome ou data de casamento.

Nota: A partir de 27 de Junho, começam os saldos e vários productos da lista vão ter uma redução de 15% a 25%, por isso esperem até lá.

Small World

Esta semana tem sido demasiado intensa... No sábado fui a Cork visitar umas amigas e acabei por escalar as montanhas Galtee e apanhar um escaldão nos ombros. Um escaldão, na Irlanda, com a minha pele morena: o impossível acontece! Ainda assim valeu a pena pela magnífica paisagem e pela sensação indescritível de ter conseguido chegar ao cume . Prometo que mostro as fotos assim que possível. Quando estava já de rastos, as minhas amigas surpreenderam-me com um jantar-despedida-de-solteira num dos restaurantes mais acolhedores em que já estive: Leonardo's. E mais não digo.

No dia seguinte, ainda antes de regressar a Limerick dei uma volta por uma feira de emprego: nada a registar, sempre o mesmo trabalho enfadonho para quem domina várias línguas - technical support, customer service...

Segunda-feira: fiz 25 anos. Aliás, vinte e cinco - o número, assim por extenso, ganha mais peso. Para o tornar insuportável, basta dizer "um quarto de século". O trabalho não correu bem de todo, mas o serão passado com alguns amigos foi um bálsamo.

Terça-feira: Tenho uma chamada não atendida no meu telemóvel e um email à minha espera - uma agência de emprego tem uma oferta que talvez me interesse. Assim que acabo o trabalho, entusiasmada, ligo para o número em questão. Não sabem quem eu sou. Não têm o meu currículo. Mas como é possível se nesse mesmo dia me tinham telefonado?! Afinal há desorganização em todo o lado...

Pedem-me que lhes diga qual é a minha área - línguas, digo eu. Fluente em português, inglês, espanhol, com nível intermédio de francês e italiano. " E fala Alemão?". Nein, foi o que me apeteceu dizer. É verdade que as línguas que falo são bastante semelhantes e fáceis de aprender por "comparação". E, sim, quero aprender alemão, apesar de ainda não ter tido tempo. Mas isto é um abuso... Só falta perguntarem se também faço o pino! (não, não faço)

A história não acaba aqui... "E onde é que trabalha neste momento?" Digo-lhes o nome da empresa. "Ah, sabe, a oferta de emprego é exactamente para essa companhia..." Small world.

Tuesday, June 13, 2006

Alarme

Cinco minutos antes de terminar o trabalho, recebo um telefonema de mais um cliente ansioso por ver o seu problema resolvido o mais rapidamente possível: "Tenho uma apresentação amanhã e não consigo recuperar o vídeo que necessito". Os clientes fazem-me lembrar alguns dos meus ex-alunos, fazendo o t.p.c. à última da hora e, por vezes, com "apoio técnico"... Enfim.

Estava desejosa de me ir embora para casa, e ainda por cima não estava à vontade com o produto em questão e a linha telefónica era péssima. Respiro fundo e ... dispara o alarme de fogo. O barulho é ensurdecedor mas o cliente não desiste: "Olhe, eu preciso mesmo de ajuda". Todos se preparam para evacuar a sala, enquanto do outro lado da linha a voz continua, "mas eu preciso disto para amanhã". É claro que tive de desligar e, ao fazê-lo, ainda ouvi "Chatice!" do outro lado.

É incrível como o ser humano, quando confrontado com problemas, se esquece de que os outros, geralmente, ainda os têm piores... Felizmente, tratou-se de falso alarme e estou hoje de volta ao meu cantinho. Ainda bem que nem todos os clientes são assim.

Monday, June 12, 2006

Mendonca... Haja paciência!

Ontem é claro que não perdi Portugal-Angola, apesar de continuar a achar que é bem mais interessante jogar futebol do que assitir a um jogo sem poder interferir no resultado. Além disso, no primeiro perdem-se calorias, enquanto que no segundo, quase sempre se ganham umas quantas, entre aperitivos e bolachas para acalmar os nervos. Não fiquei particularmente impressionada com a nossa selecção, mas também não envergonhámos ninguém: golo a golo, enche a galinha o papo...

Houve, no entanto, algo que me revolveu as entranhas: tive que aguentar 93 minutos a ouvir o meu apelido a ser mal pronunciado. É caso para dizer: bolas! Alguém que diga ao locutor que não se diz Mendonca e sim Mendonça!

Há três anos atrás, quando vim estudar para a Irlanda ao abrigo do projecto Erasmus, ouvi e vi escritas as variações mais "africanas" do meu apelido (Mendonga e Mondonca eram as mais populares), a tal ponto que ver Mendonca, mesmo sem cedilha, já era uma vitória. Curiosamente, de uma maneira geral, as pessoas até iam dizendo o meu nome de forma aceitável... Agora ter de ouvir insultos destes na televisão - haja paciência!

Tuesday, June 06, 2006

Tenho uma novidade...

Na faculdade, os meus amigos já sabiam que quando eu começava por dizer "Tenho uma novidade... ", quase sempre terminava em "Vou ter mais um sobrinho!". Ontem tive a alegria de saber que voltarei a ser "titi lulu" uma vez mais. Parabéns Clara e Zé Tó! Sempre que isto acontece, sinto que o meu coração se expande para dar lugar a mais um sobrinho (é pena que não se passe o mesmo com a carteira... essa é inversamente proporcional ao crescimento da família:-)

Sempre me considerei duplamente privilegiada por vir de uma família numerosa e por ser a filha mais nova: todos me prestaram imensa atenção, me cobriram de mimo e os meus pais, depois de terem aturado 5 filhos, tornaram-se bastante mais flexíveis... Só o nascimento dos meus sobrinhos impediu que eu continuasse a ser o centro das atenções - e ainda bem! Entretanto já lá vão 11... e meio:-)

Thursday, June 01, 2006

Memória de computador

À medida que ia instalando mais aplicações, o meu computador começava a arrastar-se com o peso da informação. Cada novo programa acrescentado equivalia a pôr-lhe 10 anos em cima: mais sabedoria, menos rapidez... A situação estava a tornar-se insustentável, porque precisava das aplicações à mão e, simultaneamente, tinha clientes pouco satisfeitos e bastante impacientes ao telefone. A solução revelou-se tão simples quanto eficaz: bastou trocar o módulo de memória (DIMM) e voilá! Um PC rejuvenescido, sem perda de dados (claro, dirão os info-expertos).

Seria útil podermos fazer o mesmo com o cérebro humano... Eu, que tenho memória de borboleta, não me importava de gastar uns euros para aumentar a minha RAM cerebral.