A preguiça instalou-se se novo e nunca mais tive paciência para escrever. Verdade seja dita, também não tenho tido muito tempo (ou não o tenho sabido gerir bem). Imaginem que o Daniel já fez um aninho a 24 de Maio e teve uma festa de arromba para miúdos e graúdos (fotos disponíveis no sítio do costume)! Entretanto fomos a mais um casamento: a noiva estava "branca e radiante", o noivo vestido à escocesa e durante a celebração deliciei-me a ouvir uma harpista com voz parecida com a da Loreena Mckennitt.
O pobre do Daniel já foi a 4 casamentos desde que nasceu, e vai a mais dois em breve...Por este andar quando comecar a falar e lhe perguntarem o que quer ser quando fôr grande, ainda é capaz de responder: mestre de cerimónias ou "wedding planner".
De resto, optámos por não comprar casa para já. O mercado imobiliário, que tinha ajudado muito à crescimento económico da Irlanda, está a desmoronar-se aos poucos: os preços já começaram a descer e a tendência deverá manter-se durante os próximos anos. A recessão bateu à porta dos irlandeses quando muito poucos esperavam a sua chegada. Nos últimos meses, várias empresas iniciaram despedimentos em massa - incluindo a minha. A bomba caiu na segunda-feira, 30 de Junho. Reunião geral com um final infeliz: 1/3 dos empregados vão perder os seus postos depois de 31 de Outubro. O meu departamnento vai fechar (vão concentrar o Serviço de Apoio Técnico nos EUA). E eu? Não sei como, ainda não perdi o meu emprego, mas também ainda não tenho uma ideia clara de quais serão as minhas funções a partir de Novembro. É ir andando e vendo...
Saturday, July 12, 2008
Friday, March 21, 2008
A gatinhar se vai ao longe

É verdade, o Daniel começou a gatinhar! Depois de muitas tentativas frustradas de cabeça para baixo e rabinho para o ar, o nosso filhote decidiu mudar de estratégia. Agora, gatinha "à comando", arrastando-se pela casa como se estivesse a planear um assalto aos ursinhos de peluche.
Entretanto, mudar a fralda revelou-se tarefa quase impossível: as pernas não param quietas, enquanto o Bruce e eu tentamos persuadir o nosso pequeno rambo a não sair do lugar: em vão!
Quanto à linguagem, apesar de o vocabulário continuar a ser de uma só palavra ("mamã", pois claro), o Daniel já é bastante fluente em gestos: diz adeus, bate palminhas, faz "a pitinha põe o ovo", dança com as mãozinhas...E o melhor de tudo é reagir igualmente aos nossos pedidos em ambas as línguas. Sim, eu sei, sou uma mãe babada. Mas digam lá se eu não tenho razão para o ser?
Monday, March 03, 2008
Perú na Eurovisão

Não, não me refiro ao país, refiro-me ao Dustin, o único perú da Irlanda que ao longo de quase 18 anos tem escapado a ser cozinhado para almoço de Natal. O seu début televisivo foi num programa infantil, mas ao longo do tempo tem cativado cada vez mais os adultos. Prova disso é o facto de ter ganho a eliminatória para o festival da Eurovisão. Preparem-se para o nunca visto! O início da música "Irlande douze pointe" é absolutamente atroz, mas acabo por ficar rendida.
A música, a letra, os bailarinos são uma paródia à Eurovisão e, mesmo sem ter ainda ouvido os outros concorrentes, duvido que alguém supere a originalidade irlandesa (sim, eu sei, talvez um pouco exagerada, mas absolutamente fora do vulgar).
A verdade é que a Eurovisão já não é o que era, e estamos todos (?) fartos de ouvir sempre o mesmo. Não foi sempre assim, pois não? Ainda hoje passei uma hora a navegar pelo "youtube" e a rever as músicas de 1993, o melhor ano de que me recordo. Chamem-lhe nostalgia se quiserem, mas a verdade é que este festival esteve recheado de pérolas: desde a fantástica "Eloise" (Suécia, merecias ter sido a vencedora!), à caixinha de música da Croácia, ao desabafo feminista da Espanha, à música de discoteca holandesa, ao ritmo electrificante do Reino Unido, a lista continua. Até a nossa Anabela teve uma actuação bem simpática. E adivinhem quem ganhou: a Irlanda! Lembro-me que fiquei fula quando soube o resultado. "In your eyes" até nem era má, simplesmente não era suficientemente boa. Na altura parecia moda: ano sim, ano sim, a terra das ovelhas encharcadas arrecadava os louros. Até que no ano passado, foi o choque total: "Irlande nil points". Agora, só mesmo com o Dustin é que vão lá!
Monday, February 25, 2008
¿Estás lista?
Há já muito tempo que uso listas para planear as minhas tarefas quotidianas e as minhas compras. Enquanto estudante, e especialmente em período de exames, ficava satisfeita se ao fim do dia tinha mais "certos" do que cruzes na minha lista, parecia-me uma forma bastante objectiva de auto-avaliação. Descobri depois que este hábito dava bons resultados também no meu trabalho e, desde então, sou uma funcionária muito mais "produtiva" (excepto quando escrevo entradas para blogues, claro está).
Quando já me comecava a questionar se o meu comportamento era obsessivo, falei com um casal nosso amigo que tem 4 filhos e é um exemplo de organização. Cada vez que vão a algum lado, usam uma lista com os objectos a levar, distribuídos por cada divisão da casa! Uf, afinal nao sou a única com estas manias!
Quando já me comecava a questionar se o meu comportamento era obsessivo, falei com um casal nosso amigo que tem 4 filhos e é um exemplo de organização. Cada vez que vão a algum lado, usam uma lista com os objectos a levar, distribuídos por cada divisão da casa! Uf, afinal nao sou a única com estas manias!
Tuesday, February 12, 2008
"Tupperwarezinho"
O Bruce acha piada aos diminutivos em Português e talvez por isso tenha engraçado com a palavra "tupperwarezinho". De segunda a sexta-feira, lá vamos os dois para o trabalho acompanhados dos nossos fiéis recipientes de plástico. A moda começou no meu primeiro emprego na Irlanda: a empresa ficava num local relativamente isolado e, se não trouxesse comida de casa, ficava esganada o dia todo (e eu, ainda por cima, tenho a mania de petiscar de duas em duas horas). Assim, habituei-me a vir munida de casa com um bom almoço, barrinhas de cereais, iogurte, fruta...
Quando mudei de trabalho, o hábito já estava bem enraizado e, apesar de haver cantina ( que não é nenhuma pechincha), não abdiquei das minhas refeições caseiras. A princípio parecia ser a única a aventurar-se a trazer comida de casa para a cantina (havia mais adeptos do tupperware, mas esses comiam no seu canto, escondidos atrás do computador). Aos poucos, alguns colegas perderam a vergonha e passaram a trazer os plásticos coloridos para a mesa e agora já é prática comum (especialmente porque está toda a gente com medo da recessão e é melhor poupar uns euros).
Quando mudei de trabalho, o hábito já estava bem enraizado e, apesar de haver cantina ( que não é nenhuma pechincha), não abdiquei das minhas refeições caseiras. A princípio parecia ser a única a aventurar-se a trazer comida de casa para a cantina (havia mais adeptos do tupperware, mas esses comiam no seu canto, escondidos atrás do computador). Aos poucos, alguns colegas perderam a vergonha e passaram a trazer os plásticos coloridos para a mesa e agora já é prática comum (especialmente porque está toda a gente com medo da recessão e é melhor poupar uns euros).
Monday, January 28, 2008
"Is binn béal ina thost"
Tenho uma grande paixão por línguas, sejam elas vivas, mortas ou moribundas, como é o caso do irlandês. Ao longo dos anos, tive relativa facilidade em aprender a língua inglesa e cresci com espanhol ali ao lado (sejamos francos, não exige grande esforço).O francês não foi particularmente difícil de assimilar (há muitas palavras com a mesma raiz que o português o que ajuda) e depois veio o latim... Houve quem pensasse que era um desperdício optar por uma língua com certidão de óbito em vez de escolher Geografia. Confesso que eu própria tive as minhas dúvidas, que logo se dissiparam com as aulas. Ao longo dos anos, o fascínio ia crescendo à medida que os textos se alongavam.
Quando entrei para o Conservatório em Lisboa, tive também de parlare un po' d'italiano, que veio à boleia do latim. Até há pouco achava que aprender línguas era muito fácil. E foi então que dei de caras com o irlandês, uma língua tão bizarra que é capaz de pôr o chinês num chinelo.
Em primeiro lugar, a ordem das palavras parece dar mais importância às acções do que aos agentes (verbo/sujeito/objecto). Em vez do costumado "O João comeu a maçã.", começa-se por "comeu" e ficamos todos ansiosos por saber se foi o João, a Maria ou o Zé. A língua irlandesa é um autêntico policial falado, com o ouvinte em permanente suspense. Depois, consoantes e vogais não se dão lá muito bem e não gostam de se misturar. Resultado, muitas palavras têm uma ortografia bastante complexa. Vejam só o seguinte exemplo tirado da Wikipédia em irlandês: "De bharr go bhfuil sí an-oscailte tarlaíonn loitiméireacht (creachadóireacht), míchruinneas, neamhchomhsheasamacht, caighdeán measctha agus tuairimí gan bunús." (http://ga.wikipedia.org) Não me perguntem o que significa... Finalmente, o que torna esta língua particularmente frustrante de aprender - pelo menos para mim - é o facto de eu não conseguir "adivinhar" o que significam as palavras. Todas as outras línguas que estudei, ou derivaram do latim, ou têm muitos vocábulos de raiz latina, o que não se passa com o irlandês. Acho que me vou contentar pela frase "Is binn béal ina thost" ("o silêncio é de ouro")...
Quando entrei para o Conservatório em Lisboa, tive também de parlare un po' d'italiano, que veio à boleia do latim. Até há pouco achava que aprender línguas era muito fácil. E foi então que dei de caras com o irlandês, uma língua tão bizarra que é capaz de pôr o chinês num chinelo.
Em primeiro lugar, a ordem das palavras parece dar mais importância às acções do que aos agentes (verbo/sujeito/objecto). Em vez do costumado "O João comeu a maçã.", começa-se por "comeu" e ficamos todos ansiosos por saber se foi o João, a Maria ou o Zé. A língua irlandesa é um autêntico policial falado, com o ouvinte em permanente suspense. Depois, consoantes e vogais não se dão lá muito bem e não gostam de se misturar. Resultado, muitas palavras têm uma ortografia bastante complexa. Vejam só o seguinte exemplo tirado da Wikipédia em irlandês: "De bharr go bhfuil sí an-oscailte tarlaíonn loitiméireacht (creachadóireacht), míchruinneas, neamhchomhsheasamacht, caighdeán measctha agus tuairimí gan bunús." (http://ga.wikipedia.org) Não me perguntem o que significa... Finalmente, o que torna esta língua particularmente frustrante de aprender - pelo menos para mim - é o facto de eu não conseguir "adivinhar" o que significam as palavras. Todas as outras línguas que estudei, ou derivaram do latim, ou têm muitos vocábulos de raiz latina, o que não se passa com o irlandês. Acho que me vou contentar pela frase "Is binn béal ina thost" ("o silêncio é de ouro")...
Friday, January 18, 2008
Labor, -oris

Estranhamente, estava mais nervosa no dia em que regressei ao trabalho do que quando entrei para esta empresa. Apareci com o meu caderninho de notas (não me fio da minha memória, por isso apontei tudo antes de ir de licença) e voilà: em pouco tempo o meu cérebro estava de novo operacional! Melhor ainda, quando telefonei à ama à hora do almoço para saber como se estava a portar o Daniel, pude ouvi-lo a rir-se às gargalhadas...
Apesar de estar bem mais cansada (adeus ó sestas...), estou contente. Saborei os sete meses que passei com o Daniel, mas senti a falta da companhia de adultos. Ele, por sua vez, precisava de estar com outras crianças: desde que começou a ir para a ama e a brincar com os filhos dela está muito mais risonho e extrovertido.
Friday, December 28, 2007
Feliz Ano Novo!

Esta foto era para cá estar mais cedo, mas já estamos há uma semana em Sligo e a internet tem estado com problemas. E antes disso, bem, atravessei uma fase de preguicite intelectual. Espero que tenham tido um óptimo Natal (como era de esperar, o Daniel gostou mais do papel de embrulho do que dos presentes) e que o ano 2008 traga o que cada um de vós mais deseja (no nosso caso, uma casa nova). Até para o ano!
Friday, December 07, 2007
5 cêntimos de bom senso

Ninguém gosta de taxas. Parece que a nossa carteira se encolhe só de ouvirmos a palavra. No fundo, pensamos sempre que o Estado nos está a roubar de uma forma constitucional, em vez de premiar o cidadão exemplar que é cada um de nós. Nós até já fazemos reciclagem e tudo, ainda querem mais?
Sim, é preciso mais se queremos mudar o rumo do nosso planeta. Nos últimos 20 anos, o número de desastres naturais relacionados com as condições climatéricas quadruplicou (http://news.bbc.co.uk/1/hi/in_depth/7111623.stm ). Nem era preciso citar dados de um estudo científico, basta estarmos a par das notícias para vermos cada vez mais e maiores catástrofes (o Tsunami de 2004, o furacão Catrina de 2005, a lista negra é assustadora). E agora estão vocês a pensar, "o que é que lhe deu para estar com este discurso apocalíptico"? E digo eu, "Acabei de ver An inconvenient Truth de Al Gore (que, aliás, recomendo vivamente)." É, acima de tudo, uma verdade urgente. Já todos sabemos do efeito estufa. Já todos sabemos que a temperatura no globo está a subir. Já todos sabemos que os glaciares se estão a derreter. Mas quando nos mostram os números, as imagens, as consequências é impossível ficar indiferente.
"Pronto", dizem vocês, "ela não está boa. Então é o meu saquinho de plástico gratuito que está a destruir o planeta?" E digo eu, "É!" O saquinho, e todos aqueles hábitos irrefletidos e comodistas do dia-a-dia: deixar as luzes ligadas em todas as divisões porque sim, não usar lâmpadas económicas porque são mais caras (vejam só o contrasenso!), ir de carro sozinho para o trabalho quando há bons transportes públicos ou posso dar boleia a um colega... Enfim, um sem número de gestos que mantemos que estão a comprometer o meio-ambiente. E a triste verdade é que, apesar de ser tão fácil mudar o nosso comportamento, poucos se dão ao trabalho de o fazer. Por isso, é obrigação do Estado educar os cidadãos. Quando julgava que finalmente o governo de Sócrates tinha tido um boa ideia, eis que volta tudo atrás e se dá o dito por não dito...
Wednesday, December 05, 2007
Caça ao tesouro
Lá em casa sempre houve mais livros do que estantes: quanto mais prateleiras se punham, mais volumes apareciam... Assim, não é de estranhar que eu goste tanto de bibliotecas - têm algo de familiar. É certo que a organização não é idêntica (a minha mãe bem tentava criar diferentes secções, mas com tanta gente a mexer nos livros era tarefa sisífica), contudo respira-se o mesmo cheiro a papel e a histórias.
Infelizmente, a biblioteca em Ennis fica relativamente longe da nossa casa e durante o início da minha licença ia com pouca frequência. Agora, porém, já apanhei o vício e ainda que me arrisque a apanhar uma bátega de água não deixo de ir. Quando finalmente lá chego, sinto-me como uma criança numa loja de doces: a escolha é tanta que não sei por onde começar. Não são "só" livros: há jornais, CDs, DVDs, exposições... Os meus olhos famintos percorrem os corredores, enquanto o Daniel se diverte a fitar as lombadas coloridas. O tempo é escasso - as lombadas não são assim tão giras e o pequenote começa a refilar se a mamã não se decide. A caça ao tesouro termina abruptamente, mas os troféus acumulados são suficientes para umas largas horas de lazer.
Infelizmente, a biblioteca em Ennis fica relativamente longe da nossa casa e durante o início da minha licença ia com pouca frequência. Agora, porém, já apanhei o vício e ainda que me arrisque a apanhar uma bátega de água não deixo de ir. Quando finalmente lá chego, sinto-me como uma criança numa loja de doces: a escolha é tanta que não sei por onde começar. Não são "só" livros: há jornais, CDs, DVDs, exposições... Os meus olhos famintos percorrem os corredores, enquanto o Daniel se diverte a fitar as lombadas coloridas. O tempo é escasso - as lombadas não são assim tão giras e o pequenote começa a refilar se a mamã não se decide. A caça ao tesouro termina abruptamente, mas os troféus acumulados são suficientes para umas largas horas de lazer.
Monday, December 03, 2007
Miau miau
Quer o Bruce, quer eu gostamos mais de cães do que de gatos, ele porque é alérgico a felinos, eu por causa de uma história macabra de família em que um tio-bisavô acaba morto por um gato assanhado (e como se isso não bastasse, já vivi num apartamento em Lisboa com uma gata destrambelhada que arranhava quem a acariciasse). O Daniel parece seguir os nossos passos, visto que não tem ligado ao gato de um casal nosso amigo, mas ficou excitadíssimo quando viu o cão de um dos nossos vizinhos. Quis à força pôr-se de pé e "fazer festinhas" (isto é, arrancar pêlos) ao dito cujo que, partilhando do estoicismo canino, continuou a abanar a cauda em vez de fugir a sete patas.

Hoje, porém, não resisti ao Puss-in-boots look* de um gatinho que ultimamente tem andado a miar de porta em porta. Abri a janela e deitei um pedaço de bolo para ver se Sua Excelência se dignava a comer (vejo sempre estes felinos como criaturas simultaneamente altivas e picuinhas). E eis que nem sobram migalhas, tão esfomeado estava! Pronto, derreteu-se-me o coração, e deixei-lhe uma malga de leite à porta. Assim que terminou a sua refeição, saltou para o parapeito exterior da janela já fechada, e lá ficou deitado, à espera de ser contemplado pela sua benfeitora. A verdade é que o Daniel achou imensa piada à mudança de cenário (ele passa imenso tempo a espreitar a rua, e está sempre tudo na mesma...). Maior foi o meu espanto quando, meia hora depois, ao sair para o nosso passeio habitual, o gato fez questão de nos acompanhar. Confesso, estamos os dois rendidos ao "miau-miau"!
* olhinhos de gato das botas (Shrek 2)
PS - Li agora no Público online que em Tóquio há cafés onde os clientes se podem distrair a mimar gatos. Às tantas, a moda ainda pega...

Hoje, porém, não resisti ao Puss-in-boots look* de um gatinho que ultimamente tem andado a miar de porta em porta. Abri a janela e deitei um pedaço de bolo para ver se Sua Excelência se dignava a comer (vejo sempre estes felinos como criaturas simultaneamente altivas e picuinhas). E eis que nem sobram migalhas, tão esfomeado estava! Pronto, derreteu-se-me o coração, e deixei-lhe uma malga de leite à porta. Assim que terminou a sua refeição, saltou para o parapeito exterior da janela já fechada, e lá ficou deitado, à espera de ser contemplado pela sua benfeitora. A verdade é que o Daniel achou imensa piada à mudança de cenário (ele passa imenso tempo a espreitar a rua, e está sempre tudo na mesma...). Maior foi o meu espanto quando, meia hora depois, ao sair para o nosso passeio habitual, o gato fez questão de nos acompanhar. Confesso, estamos os dois rendidos ao "miau-miau"!
* olhinhos de gato das botas (Shrek 2)
PS - Li agora no Público online que em Tóquio há cafés onde os clientes se podem distrair a mimar gatos. Às tantas, a moda ainda pega...
Monday, November 26, 2007
Os melhores filhos do mundo
A maioria das mães vive na ilusão de que os seus filhos são os mais espertos, os mais bonitos, os mais simpáticos. Se o primeiro dentinho nasce mais cedo do que a média, é precoce e, por isso, inteligente. Se começa a gatinhar antes que o filho da vizinha, "vai longe". Se sorri, é lindo; se é introvertido, ergo pensador... Pode até nem fazer nada, mas é sempre o melhor, mesmo no nada que faz.
Ora enquanto algumas mães acalentam estes pensamentos em segredo, outras há que não hesitam em partilhá-los com a família, amigos, professores e catequistas dos seus rebentos, o homem do talho, a senhora da mercearia, etc, etc... Agora adivinhem lá em que grupo se inclui a minha, que nas últimas semanas anda em campanha bloguista: "Leiam o blogue da Luísa!". Como há já uns anos que não corre a minha veia poética (costumava escrever "versos" em criança e durante a maior parte da minha adolescência e vida universitária), esgotaram-se os troféus para mostrar a conhecidos e afins. Contudo, o facto de eu ter começado a publicar textos na internet deu-lhe a oportunidade perfeita para alargar a sua divulgação a meio mundo...
Mãe, muito obrigada por acreditares cegamente nas minhas capacidades, me teres ajudado a ganhar auto-estima e a crescer com optimismo. Pai, obrigada pelo teu encorajamento mais comedido, que permitiu que o meu ego não explodisse, depois da pirotecnia panegírica materna.
PS- Redescobri há pouco o meu primeiro poema em Inglês (mais um dos frutos de ERASMUS) que anda à volta do tema da humildade. As minhas desculpas para quem não está à vontade com a língua inglesa, mas traduzir este poema iria despi-lo de sentido. Bom proveito!
.
i feel like writing myself
as i.
What's the point in being big?
If you're too big,
no one will be able
to embrace you entirely.
If you're "I"
there's no space left
for others to complete you.
"I" is a pedestal
with no statue on top.
i want to be i
even less,
just a dot
.
See,
This is me:
a freckle of God.
Ora enquanto algumas mães acalentam estes pensamentos em segredo, outras há que não hesitam em partilhá-los com a família, amigos, professores e catequistas dos seus rebentos, o homem do talho, a senhora da mercearia, etc, etc... Agora adivinhem lá em que grupo se inclui a minha, que nas últimas semanas anda em campanha bloguista: "Leiam o blogue da Luísa!". Como há já uns anos que não corre a minha veia poética (costumava escrever "versos" em criança e durante a maior parte da minha adolescência e vida universitária), esgotaram-se os troféus para mostrar a conhecidos e afins. Contudo, o facto de eu ter começado a publicar textos na internet deu-lhe a oportunidade perfeita para alargar a sua divulgação a meio mundo...
Mãe, muito obrigada por acreditares cegamente nas minhas capacidades, me teres ajudado a ganhar auto-estima e a crescer com optimismo. Pai, obrigada pelo teu encorajamento mais comedido, que permitiu que o meu ego não explodisse, depois da pirotecnia panegírica materna.
PS- Redescobri há pouco o meu primeiro poema em Inglês (mais um dos frutos de ERASMUS) que anda à volta do tema da humildade. As minhas desculpas para quem não está à vontade com a língua inglesa, mas traduzir este poema iria despi-lo de sentido. Bom proveito!
.
i feel like writing myself
as i.
What's the point in being big?
If you're too big,
no one will be able
to embrace you entirely.
If you're "I"
there's no space left
for others to complete you.
"I" is a pedestal
with no statue on top.
i want to be i
even less,
just a dot
.
See,
This is me:
a freckle of God.
Friday, November 23, 2007
Ama...seca
Estava tudo a postos para eu regressar ao trabalho na passada segunda-feira. Infelizmente, os imprevistos não faziam parte do meu plano: à última da hora a ama informou-nos que afinal não podia tratar do Daniel porque - coisa nunca vista - ele chorava. Depois disto, quem queria chorar era eu...
Convencida de que tudo acontece por uma razão, telefonei ao meu chefe e pedi para alargar a licença sem vencimento até ao fim do ano, o que me foi concedido de boa vontade. Entretanto, comecei de novo à procura de ama, uma vez que há poucas creches full-time nesta zona (a maioria funciona só 2/3h de manhã ou à tarde). Este ano houve um baby boom na Irlanda e confesso que tinha medo de não encontrar ninguém disponível... Felizmente, estava enganada. Para minha grande surpresa e alívio, descobri várias. Espero desta vez ter acertado na escolha.
Agora que já começa a assentar a poeira, tenho que admitir este foi um mal que veio por bem. Se não, vejamos:
1. Apesar da minha costela feminista o querer ocultar, a verdade é que estou a gostar imenso de ser temporariamente a "stay-at-home-mum";
2. O Daniel, desde que deixou de ir à ama, esmera-se em sorrisos (acho que a auto-estima dele não ficou lá muito abalada com a rejeição);
3. A colega que me está a substituir iria ficar desempregada durante o mês de Dezembro, e desta forma acabou por receber uma prenda de Natal antecipada;
4. A nova ama fica mais perto do nosso trabalho e, como tem três filhos (a mais pequenina com apenas dois anos), ainda se lembra que os bebés choram.
E esta, hein?
Convencida de que tudo acontece por uma razão, telefonei ao meu chefe e pedi para alargar a licença sem vencimento até ao fim do ano, o que me foi concedido de boa vontade. Entretanto, comecei de novo à procura de ama, uma vez que há poucas creches full-time nesta zona (a maioria funciona só 2/3h de manhã ou à tarde). Este ano houve um baby boom na Irlanda e confesso que tinha medo de não encontrar ninguém disponível... Felizmente, estava enganada. Para minha grande surpresa e alívio, descobri várias. Espero desta vez ter acertado na escolha.
Agora que já começa a assentar a poeira, tenho que admitir este foi um mal que veio por bem. Se não, vejamos:
1. Apesar da minha costela feminista o querer ocultar, a verdade é que estou a gostar imenso de ser temporariamente a "stay-at-home-mum";
2. O Daniel, desde que deixou de ir à ama, esmera-se em sorrisos (acho que a auto-estima dele não ficou lá muito abalada com a rejeição);
3. A colega que me está a substituir iria ficar desempregada durante o mês de Dezembro, e desta forma acabou por receber uma prenda de Natal antecipada;
4. A nova ama fica mais perto do nosso trabalho e, como tem três filhos (a mais pequenina com apenas dois anos), ainda se lembra que os bebés choram.
E esta, hein?
Monday, November 12, 2007
Nódoas...
A vida ganhou mais cor desde que o Daniel começou a comer papa e sopa: quer ele, quer eu, quer o Bruce, envergamos agora as nossas roupas com nódoas de orgulho. Não há avental, babete ou fraldinha que controle a criatividade sujadora do nosso pequenino. E eu que julgava - antes dele nascer - que a lavagem da roupa cá em casa só ia aumentar 50% (afinal era só mais uma pessoa, e ainda por cima, em ponto pequeno). Como estava enganada! O vestuário do Daniel ainda é o menos, o nosso é que está constantemente a ser bombardeado com manchas de todo o tamanho e feitio, e nos lugares mais caricatos. A situação tem vindo a deteriorar-se desde que o nosso rebento aprendeu a soprar e decidiu que a colher serve muito bem de flauta...
Sunday, November 11, 2007
À procura de casa
Desde que o Bruce e eu nos casámos, temos vivido numa simpática casa amarela em Ennis, num local muito sossegado. Gostamos muito do nosso senhorio, mas não ao ponto de continuar a pagar-lhe renda ad eternum. Há cerca de um mês, aproveitando o facto de ainda estar de licença,comecei a ver o programa "Location, location, location" que dá imensas pistas para quem quer comprar casa. Aprendi, por exemplo, que os três principais factores a ter em conta são a relação entre o tamanho, a localização e o preço do imóvel.
Quando fomos ver uma casa pela primeira vez, ia munida do meu bloco de notas com uma lista imensa de pormenores a ter em atenção. O edifício tinha sido construído nos anos setenta, mas fora completamente remodelado e ampliado, respirava-se bom gosto em todas as divisões. Era enorme, com muito espaço de arrumação (uma das minhas exigências), boa iluminação, imensas tomadas (sim, é uma das maiores preocupações do Bruce, que anda a coleccionar computadores órfãos), um jardim encantador... Depois de uma avaliação demorada, passou o teste com distinção. O problema era o preço ser um pouco acima do orçamento e o facto de, menos de uma semana depois, já haver um comprador à vista e nós não estarmos ainda preparados para regatear (afinal, era só a primeira que tínhamos visto).
Entretanto já vimos outras três, que ficaram sempre aquém. Ou a cozinha era muito pequena, ou a casa precisava de obras, ou tinha poucas divisões. Por isso continuamos à procura, à pocura...
Quando fomos ver uma casa pela primeira vez, ia munida do meu bloco de notas com uma lista imensa de pormenores a ter em atenção. O edifício tinha sido construído nos anos setenta, mas fora completamente remodelado e ampliado, respirava-se bom gosto em todas as divisões. Era enorme, com muito espaço de arrumação (uma das minhas exigências), boa iluminação, imensas tomadas (sim, é uma das maiores preocupações do Bruce, que anda a coleccionar computadores órfãos), um jardim encantador... Depois de uma avaliação demorada, passou o teste com distinção. O problema era o preço ser um pouco acima do orçamento e o facto de, menos de uma semana depois, já haver um comprador à vista e nós não estarmos ainda preparados para regatear (afinal, era só a primeira que tínhamos visto).
Entretanto já vimos outras três, que ficaram sempre aquém. Ou a cozinha era muito pequena, ou a casa precisava de obras, ou tinha poucas divisões. Por isso continuamos à procura, à pocura...
Monday, November 05, 2007
O Belo Acordado

O Daniel é um amor durante o dia. Ontem aprendeu a soprar e passa agora a maior parte do tempo a tentar assobiar ao espelho. Gosta muito do seu passeio diário, da sua aula de música (a mamã ou o papá tocam para ele) e de saborear - literalmente - os livros (prefere mordê-los a fixar as imagens). É um querido - e já estou a ver o sorriso cúmplice de alguns de vocês que sabem o meu uso particular de "querido"- MAS não dorme à noite! Eis a razão por que esta bloguista não tem escrito. A verdade é que às vezes me sinto tão cansada que até falar exige um esforço sobre-humano (por exemplo, às 4 da manhã, depois de o Daniel ter acordado pela enésima vez, a minha voz soa como um disco vinil com as rotações trocadas, quando me volto para o Bruce: "vvvvvvvvvaaaaaaaaai lááááááá tu por favozzzzzzzzz").
Tuesday, October 30, 2007
Um vaivém especial
Tenho poucas memórias de infância, mas sei que fui feliz. Lembro-me do carinho e paciência que todos tinham para comigo por ser a filha caçula. Lembro-me dos deliciosos bolos e sobremesas de família que agora estou a tentar "recriar" pela minha própria mão. E, finalmente, lembro-me de a casa estar sempre cheia e a mesa sempre posta. Não só éramos uma família numerosa (avó, pais e seis filhos), como tínhamos a porta e o coração sempre abertos. Tios, primos, vizinhos e amigos estavam constantemente a entrar e a sair, entre conversas que se alongavam pelo serão fora. Silêncio, só mesmo durante a noite (e isto se conseguíssemos alhear-nos de um ou outro ressonar...).
Vinte anos e catorze netos depois, os meus pais já se mudaram para um apartamento maior , mas o vaivém continua a aumentar exponencialmente. Por este andar, vão ter de comprar um prédio inteiro... O Bruce, que só tem uma irmã e estava habituado à paz e sossego de Sligo, continua a ficar surpreendido cada vez que vamos a Castelo Branco: "Isto é uma autêntica estação de comboios, com gente a chegar e a partir!".
Vinte anos e catorze netos depois, os meus pais já se mudaram para um apartamento maior , mas o vaivém continua a aumentar exponencialmente. Por este andar, vão ter de comprar um prédio inteiro... O Bruce, que só tem uma irmã e estava habituado à paz e sossego de Sligo, continua a ficar surpreendido cada vez que vamos a Castelo Branco: "Isto é uma autêntica estação de comboios, com gente a chegar e a partir!".
Wednesday, October 24, 2007
Como imaginar um sorriso
É certo e sabido que são frequentemente as ideias mais simples que chegam mais longe. Em 1993, Dave and Jill Cooke, do País de Gales, iniciaram um programa de envio de presentes e mantimentos para orfanatos na Roménia. Nesse mesmo ano, uma organização cristã, "Samaritan's Purse", apadrinhou o projecto, servindo-se de caixas de sapatos para entregar prendas a crianças na Bósnia. E, como por magia, essas caixas de sapatos, decoradas com papel de embrulho e repletas de bonecos, material escolar e produtos de higiene, tornaram-se autênticos baús de pequenos tesouros. Só no ano passado, sete milhões e meio de crianças necessitadas descobriram o que é receber um presente pelo Natal.
( http://www.breakingnews.ie/ireland/mhmhmheyojmh )
Tenho uma amiga que alguns anos atrás fez trabalho de voluntariado num orfanato na Rússia e, apesar de ter sido já em pleno Verão, os meninos continuavam a falar dos brinquedos que tinham recebido seis meses antes...
Sei que ainda há pouco reclamei por as lojas já transpirarem de decorações natalícias, mas a verdade é que uma operação desta envergadura precisa de se iniciar com bastante tempo de antecedência. Ontem, senti um gozo especial ao preparar uma caixa com prendas para um rapazinho que nunca chegarei a conhecer. Mas fico contente só de imaginar o seu sorriso...
( http://www.breakingnews.ie/ireland/mhmhmheyojmh )
Tenho uma amiga que alguns anos atrás fez trabalho de voluntariado num orfanato na Rússia e, apesar de ter sido já em pleno Verão, os meninos continuavam a falar dos brinquedos que tinham recebido seis meses antes...
Sei que ainda há pouco reclamei por as lojas já transpirarem de decorações natalícias, mas a verdade é que uma operação desta envergadura precisa de se iniciar com bastante tempo de antecedência. Ontem, senti um gozo especial ao preparar uma caixa com prendas para um rapazinho que nunca chegarei a conhecer. Mas fico contente só de imaginar o seu sorriso...
Monday, October 22, 2007
Era uma vez...
Um dos meus planos para a licença de maternidade era escrever histórias para o Daniel. A verdade é que já estou em contagem decrescente para o regresso ao trabalho (falta menos de 1 mês, snif, snif) e ainda não escrevi um parágrafo. Decidi então começar a ler The Complete Fairy Tales dos irmãos Grimm em busca de inspiração.
Confesso que estou a desfrutar imenso desta viagem pela infância, mas fiquei simultaneamente surpreendida por só agora me dar conta da crueldade de alguns destes contos. Apesar de ainda só ter lido 20 (a obra completa inclui 279), encontrei
pais que abandonam os filhos ("Hansel and Gretel", "Rapunzel") ou que decidem assassiná-los ("The twelve brothers", "Faithful Johannes"). São autênticas histórias de terror, e seria de esperar que as criancinhas acordassem a meio da noite com pesadelos. E, no entanto, elas parecem ficar em paz porque, no fim, "os bons" ficam bem. Estranho, não é?
Confesso que estou a desfrutar imenso desta viagem pela infância, mas fiquei simultaneamente surpreendida por só agora me dar conta da crueldade de alguns destes contos. Apesar de ainda só ter lido 20 (a obra completa inclui 279), encontrei
pais que abandonam os filhos ("Hansel and Gretel", "Rapunzel") ou que decidem assassiná-los ("The twelve brothers", "Faithful Johannes"). São autênticas histórias de terror, e seria de esperar que as criancinhas acordassem a meio da noite com pesadelos. E, no entanto, elas parecem ficar em paz porque, no fim, "os bons" ficam bem. Estranho, não é?
Thursday, October 18, 2007
Chuack!
Uma das diferenças que mais saltou à vista quando vim pela primeira vez à Irlanda foi a forma de cumprimento e a distância física entre pessoas. Habituada à cultura beijoqueira de Portugal e ao bater no braço do interlocutor para chamar à atenção, levei algum tempo até aprender a dizer "hello" sem mais e a conversar sem invadir o espaço pessoal do outro ("área em torno de uma pessoa, cuja violação por outra pessoa produz desconforto ou mal-estar", segundo Goldstein). O Bruce, por sua vez, teve de aguentar estoicamente 15 pares de beijos e outros tantos apertos de mão cada vez que ia a Portugal e tínhamos um jantar de família ou de amigos.
Quando estava já resignada ao higiénico cumprimento irlandês, eis que a situação muda. Passo a explicar: a Irlanda, até há pouco considerada um país de emigrantes, tornou-se destino de imigrantes, graças à sua properidade económica. Enquanto há uns anos era uma ilha de caras pálidas, em que quase toda a gente falava a mesma língua, agora está repleta de cores e sons de todo o mundo: polacos, brasileiros, chineses, espanhóis, franceses, sul-africanos, etc... Como consequência, já ninguém sabe como se cumprimentar! Assim que vemos um amigo ou conhecido vindo em nossa direcção, a nossa actividade cerebral aumenta exponencialmente, enquanto tentamos decidir se devemos simplesmente dizer "hello", se dar um abraço, um ou dois beijos,o que tem tendência a variar consoante a nacionalidade, faixa etária, grau de intimidade e o tempo que estivemos sem nos ver. É de se ficar exausto ainda antes de começar o diálogo!
P.S. - Acho que o Daniel nasceu com o "gene" do beijinho português. Ultimamente, quando lhe pego ao colo, chucha nas minhas bochechas como se fossem uma chupeta:-)
P.S.S. - A propósito de beijos e bebés, aqui está um clip bem cómico:
http://www.ffk-wilkinson.com
Quando estava já resignada ao higiénico cumprimento irlandês, eis que a situação muda. Passo a explicar: a Irlanda, até há pouco considerada um país de emigrantes, tornou-se destino de imigrantes, graças à sua properidade económica. Enquanto há uns anos era uma ilha de caras pálidas, em que quase toda a gente falava a mesma língua, agora está repleta de cores e sons de todo o mundo: polacos, brasileiros, chineses, espanhóis, franceses, sul-africanos, etc... Como consequência, já ninguém sabe como se cumprimentar! Assim que vemos um amigo ou conhecido vindo em nossa direcção, a nossa actividade cerebral aumenta exponencialmente, enquanto tentamos decidir se devemos simplesmente dizer "hello", se dar um abraço, um ou dois beijos,o que tem tendência a variar consoante a nacionalidade, faixa etária, grau de intimidade e o tempo que estivemos sem nos ver. É de se ficar exausto ainda antes de começar o diálogo!
P.S. - Acho que o Daniel nasceu com o "gene" do beijinho português. Ultimamente, quando lhe pego ao colo, chucha nas minhas bochechas como se fossem uma chupeta:-)
P.S.S. - A propósito de beijos e bebés, aqui está um clip bem cómico:
http://www.ffk-wilkinson.com
Subscribe to:
Posts (Atom)
