Thursday, August 23, 2007

A porta do lado

Faz este mês um ano que nos mudámos para esta casa e só ontem - sim, só mesmo ontem - conhecemos os nossos vizinhos do lado.

Quando o Bruce e eu viemos viver para este bairro novinho em folha, estávamos casadinhos de fresco e o mundo girava à nossa volta... Concentrámo-nos em tornar a nossa casinha num verdadeiro lar e mal nos apercebemos de que havia gente a viver ao pé de nós. O facto de não ouvirmos qualquer ruído vindo da casa do lado ajudou a prolongar esta ilusão. Entretanto, entrámos no Outono (que cá chega mais depressa do que em Portugal...) e as tardes ficaram mais curtas. Quando regressávamos do trabalho, já era de noite e os vizinhos tinham as cortinas corridas (são tão pesadas que só deixam passar um fio ténue de luz). Culpámos então a escuridão e o frio (em vez da nossa preguiça e cobardia) e continuámos sem bater à porta do lado.

O tempo foi passando e o acanhamento foi crescendo de forma proporcional à minha barriga. Planeava fazer uns biscoitos para lhes oferecer, mas era sempre para amanhã... Quanto mais adiava o encontro, maior era a caixa de bolinhos que tencionava fazer, até que cheguei ao meu limite: teria que passar dias inteiros à volta do forno para compensar a demora.

Anteontem, reparei que ainda tínhamos bastante bolo de anos do Bruce, que tinha sobrado do dia anterior e tomei uma decisão. Cortei uma porção generosa e bati à porta dos nossos vizinhos. Não eram biscoitos, mas o John - descobri que era esse o seu nome - não pareceu ficar desapontado. No dia seguinte, quando regressei do meu passeio habitual, encontrei uma cartão de agradecimento no nosso correio e um convite para ir passar o serão com os nossos vizinhos. E foi apenas ontem que nos apresentámos devidamente (o Bruce e o Daniel foram comigo e a namorada do John, Marieta, estava também em casa). A conversa surgiu naturalmente e descobrimos que temos bastante em comum... Neighbours at last!

Thursday, August 16, 2007

Livros

Quem folhear os livros que estudei na faculdade, é capaz de ficar um pouco... escandalizado. Estão sublinhados a cores, com inúmeros comentários (a caneta!), com as pontas dobradas nas passagens mais relevantes. São poucos os espaços deixados em branco, o que torna difícil a releitura, mas a minha intenção era mesmo essa: espremer o conteúdo e ficar com uma versão concentrada que era mais fácil de abordar e de reter na memória.

Acho que o único exemplar que quase escapou ao meu graffiti livresco (com anotações minúsculas a lapiseira) foi Songs of Innocence and Experience de William Blake. Não foram os poemas que me impediram de atacar as suas páginas (afinal, as palavras gostam de companhia...), mas sim as suas iluminuras fantásticas.

Talvez por estar habituada a deixar a minha marca nos livros, gosto imenso de comprar obras em segunda mão. Além disso, são bem mais baratas e revertem geralmente para fundos humanitários (são as chamadas charity shops, bastante populares na Irlanda). De início, ficava tentada a adquirir livros que pareciam novinhos, mas vim a descobrir que isso se devia não ao cuidado do leitor, mas ao carácter desinteressante do exemplar em questão. Mudei de estratégia: agora procuro lombadas cheias de pregas e cantos dobrados... São vestígios de horas bem passadas. Um desses exemplos foi Gentlemen and Players de Joanne Harris: um livro de suspense que se devora de um só fôlego!

Tuesday, August 14, 2007

Baby shower

Na sexta-feira passada fui a um baby shower pela segunda vez (o primeiro foi o meu, para grande surpresa minha). É uma tradição muito popular em países como a África do Sul (onde nasceu a minha amiga Maria) e apesar da sua inevitável faceta comercial, não deixa de ser uma ocasião simpática e de trazer prendas muito úteis para o futuro bebé. Tanto quanto sei, tenta-se que seja uma festa surpresa que ocorre geralmente nas últimas semanas de gravidez e se organiza somente para o primeiro rebento. Depois deste "rito de iniciação", assume-se que a mulher já está suficientemente instruída e apetrechada para enfrentar a maternidade de novo, se assim o entender.

Cada amiga da mum-to-be traz um doce ou um salgado, presentes, dicas e passa-se o serão em alegre - e frequentemente barulhenta - cavaqueira. Foi no meu baby shower que descobri a existência dos práticos nappybags, que presenciei um debate aceso entre as partidárias das fraldas Huggies Vs Pampers e me senti mamã ainda antes de o Daniel ter nascido.

Apesar de se tratar de uma celebração entre mulheres, a verdade é que acaba por dar origem a um baby shower masculino improvisado: juntam-se maridos e bebés na casa do futuro papá que, inevitavelmente, acaba por ser bombardeado com as histórias de longas noites sem dormir, de birras e afins.Comparativamente, parece um pouco injusto, dirão vocês... Qual quê! Injusto é não poder dividir as dores de parto!

Wednesday, July 18, 2007

Marcas de amizade

Quando vim para a Irlanda pela primeira vez, não saía de casa sem levar um pequeno bloco de notas onde apontava palavras em Inglês que aprendia. Aos poucos apercebi-me de que, ao memorizar um novo vocábulo, acabava por associá-lo à pessoa que mo tinha ensinado (e frequentemente também ao contexto em que tinha surgido). O meu vocabulário inglês está povoado de memórias do meu ano de ERASMUS.

Também o meu português foi enriquecido pelos meus amigos: dou comigo a usar expressões que me fazem lembrar tanto deles! É quase uma forma de matar saudades...

Mas os meus amigos não estão só nas minhas palavras: estão na minha comida e nos meus gestos. A forma como cozinho, os ingredientes que uso e as receitas que sigo são o acumular de experiências que troquei com as minhas companheiras de casa e de jantares oferecidos por quem me quer bem. Cada receita aprendida tomou o nome da pessoa que me ensinou: "Lasanha de Vegetais à Ritinha", "Sopa de cenoura da Connie", "Paté da Paula", "Batatas a murro da Idalina", "Beringelas à moda da Susy", "Mousse de laranja da Maria do Rosário"... E são bem mais saborosas que os pratos de qualquer revista de culinária.

Monday, July 16, 2007

Postais

Na Irlanda há uma forte tradição de envio de postais que nem mesmo a internet parece ter feito esmorecer. Postais de aniversário, de noivado, de casamento, de Natal, de Páscoa, mas também outros para celebrar o nascimento de um bebé, a reforma, a mudança de emprego ou de casa, a obtenção da carta de condução, cartões de agradecimento ou desejando as melhoras... A lista parece infindável. E é de facto simpático ainda receber correio que não seja publicidade ou contas para pagar.

Mas sabe a pouco. Isto porque, segundo a mentalidade irlandesa, basta assinar ou, quando muito, escrever uma frase para que o postal fique "completo". Não se gastam palavras, nem tempo, e o remetente fica com a noção de missão cumprida. Apesar de estar agradecida, sinto-me defraudada como se um amigo que há muito não via tocasse à minha porta para dizer olá e depois, simplesmente, desse meia volta e fosse embora sem mais. Decididamente, continuo a preferir postais à portuguesa... Mais escassos, é certo, mas transbordantes de palavras.

P.S. - Por cá, também é frequente os postais de aniversário trazerem o número de anos estampado na capa. Há tempos entrei numa loja que tinha vários para celebrar os 100 anos! Espero um dia vir a receber um desses...

Thursday, July 05, 2007

Gostos não se discutem...

A minha família, apesar de não ser tão dotada como a célebre Von Trapp, não deixa de ter um certo carisma musical (quase todos cantamos afinados e/ou tocamos um instumento). Tive a sorte de começar a estudar no conservatório quando ainda era bastante pequena e a música sempre me acompanhou desde então.

Levei um ou dois anos a decidir-me por um instrumento. O mais conveniente era escolher um que já tivéssemos lá em casa: acordeão, violino, flauta ou harmónica. Acabei por se puxada para as cordas e em pouco tempo estava a serrar aos ouvidos da minha professora, pais, irmãos e vizinhos (aqui fica registado o meu obrigada a todos aqueles que, pela sua paciência, não me impediram de continuar a tocar...).

O violino é, provavelmente, dos instrumentos mais ingratos durante os primeiros anos de aprendizagem. Leva muito tempo para que os dedos e o ouvido encontrem a afinação correcta e para que a mão direita descubra a tensão certa do arco sobre as cordas . A minha professora tinha um método curioso para desencorajar a desafinação: por cada nota desafinada, ficávamos a dever-lhe um pastel de nata. Se bem que nunca cheguei a redimir a minha dívida (g)astronómica , cada vez que comia um pastel de nata ficava com peso de consciência por não ter estudado mais...



Muitos anos depois, vim a descobrir que saber tocar violino, para além da satisfação pessoal e das muitas oportunidades que me proporcionou, é a cura para o choro desalmado do Daniel. Sim, é verdade, basta começar a tocar e ele automaticamente cala-se, relaxa e, geralmente, pouco depois fica a dormir (hoje, só de ver o violino, ficou logo mais calmo). O pai já tentou o mesmo truque com o piano - em vão... O Daniel parece ser bem mais decidido do que a mãe dele em termos musicais: ainda só cá anda há pouco mais de um mês, e já quer ser violinista:-) Se não acreditam, é só olhar para a prova evidente desta fotografia: já está em posição para tocar, só falta o instrumento...

Tuesday, July 03, 2007

Fome de sol

Tinham dito que este Verão ia ser dos mais quentes dos últimos anos: eu acreditei. Fiquei feliz só com a expectativa de poder aproveitar a licença de parto para dar longos passeios com o Daniel. Abril chegou cheio de sol e dissipou quaisquer dúvidas que pudesse ainda ter: se a Primavera era assim, estava garantido o Verão.

Não, não estava.

Maio e Junho foram os mais cinzentos que já vi e Julho continua a afogar as minhas esperanças. Nem posso consolar-me a pensar no céu azul de Portugal, porque parece que também aí o clima anda do avesso. Como se já não bastassem os políticos, agora o tempo também não cumpre promessas!

Quem me vende uns minutos de sol?

Friday, June 29, 2007

I feel good

Depois de 7 meses a usar calças de grávida, regressei aos meus velhos jeans. Yupi! Foi tão frustrante sair do hospital a usar as mesmas calças da gravidez: foi-se o bebé, ficou a barriga, e que barriga! Um autêntico colchão de água... É claro que neste último mês estive mais do que ocupada a ser mãe para perder muito tempo a pensar nisso, mas a verdade é que não deixava de ser um golpe para a minha auto-estima ter de encarar todas as manhãs um umbigo a nadar num mar de gelatina. Numa altura em que ainda me estou a adaptar às transformações radicais da minha vida (entre 2006 e 2007, mudei de país, de profissão, casei-me e já sou mãe), sabe bem ao menos voltar a ter a barriga no lugar.

Thursday, June 28, 2007

Enquanto o Daniel dorme...

Ou melhor, enquanto ele não acorda, tento desenferrujar os dedos e as palavras. Ontem recebi o primeiro sorriso "voluntário" do Daniel - até então, ele só sorria durante o sono. Não sei se todos os bebés de 1 mês serão assim, mas os primeiros minutos, logo a seguir a adormecer, passa-os a dar "gargalhadas mudas" - o que é irá dentro daquela cabecinha de cabelo miúdo? Porém, quando está desperto, fica sério, sério, como se sentisse já a responsabilidade de crescer. Com o tempo, espero que descubra quão importante é saber sorrir acordado, mesmo quando se tem pela frente desafios tão grandes como aprender a falar e a andar.

Tuesday, June 19, 2007

Recomeço

É difícil voltar a escrever, depois de tantos meses de silêncio. Parece que depois de me casar só faltava acrescentar "e viveram felizes para sempre"... Mas a vida continua. Não parei de escrever por falta de novidades: nestes meses mudei de emprego, participei em outro musical, engravidei e já sou mamã desde 24 de Maio. Então o que me fez calar? O computador! Depois de passar 8h por dia a trabalhar em frente ao monitor, extremamente ocupada, quando chegava a casa já não tinha paciência para ligar o bicho de estimação do meu marido para continuar o blog.

Agora que já estou em licença de parto há mais de um mês, e passo 24h a cuidar do Daniel, tenho necessidade de voltar a falar escrevendo, e de receber respostas que vão para além de um "aaaaaaaa" e de um "buá" (ainda que os "aaaaaaaaaaa"s do Daniel sejam muito expressivos, e os "buá"s muito... absorventes).

Pronto, o blog está oficialmente "reaberto". Agora já só falta contar com a colaboração do Daniel para que mamã possa ter um tempinho para escrever...

Friday, October 06, 2006

"Slices of life"

Muito aconteceu desde a última vez que aqui escrevi... Tantos episódios insólitos que queria ter apontado e que, no entanto, fui adiando, por falta de tempo e de motivação. Como aquela vez em que, ao atravessar uma das pontes de Limerick, nos deparámos com um cisne parado na estrada, causando uma longa fila de trânsito... E ninguém se atrevia a aproximar-se do bicho (sim, porque os cisnes são criaturas belas e elegantes, mas bastante temperamentais). Felizmente, não estava do nosso lado e pudemos seguir viagem. Fiquei, no entanto, sem saber se o cisne se dignou a mover por si só ou se alguém conseguiu persuadi-lo a levantar vôo.

Outro episódio curioso passou-se quando estava em casa, a jantar à pressa (tínhamos ensaio para o musical nesse serão) e alguém bateu à nossa porta. Como ainda não conheço os meus vizinhos (são tão discretos e sossegados, que às vezes me pergunto se existem mesmo), estava à espera que fossem ou as testemunhas de Jeová ou a companhia telefónica que não se cansa de anunciar novas promoções. Ponho uma cara apressada, tenho a ladainha do costume na ponta da língua... Mas quando abro a porta vejo quatro crianças que me desafiam em uníssono: "Dás-nos 50 cêntimos se recitarmos um poema?". Fiquei desarmada. Foi-se a pressa, abriu-se um sorriso...e a carteira:-)

Friday, September 15, 2006

Veneza tem mais encanto...
































...na hora da despedida. Só pudemos passar uma tarde na cidade mágica porque o nosso vôo partia nessa mesma noite para Dublin, mas foi uma experiência maravilhosa. Faltam-me as palavras quando tento descrever a praça de S. Marcos. As arcadas com lojas e cafés que, na sua maioria, preservam a decoração original dos diferentes compartimentos do palácio, a torre sineira (foto em cima), a basílica (foto em baixo), música clássica ao vivo, tudo contribuía para criar uma atmosfera única.

Tenho pena de não ter imagens do interior da basílica. Fartei-me de ginasticar o pescoço: ora ficava fascinada pela decoração das abóbadas (um autêntico céu de ouro), ora admirava o pormenor dos mosaicos que ornavam o chão.

Passámos o resto da tarde a passear pelas ruelas, a atravessar as pontes e... a ver passar gôndolas:-) Depois do cruzeiro estávamos demasiado pelintras para pagar 80 euros por 30 minutos de romantismo. Fiquei completamente cativada pelas peças de vidro murano. Estava familiarizada com aquelas medalhas venezianas coloridas, mas nada me fazia esperar as peças de arte que vi em exibição em várias lojas. Lindo! Não resisti a comprar um colar feito do dito vidro...

Finalizámos a lua-de-mel com chave de ouro: um passeio de barco que nos deu uma boa ideia da cidade. Agora só me resta dizer: quero mais!!!!

Tuesday, September 12, 2006

Corfu: um pequeno paraíso





























O dia em Corfu foi passado numa longa caminhada por trilhos pouco explorados, o que nos permitiu fugir aos locais "para turista ver". Soube tão bem o contacto com a natureza, quase sempre à sombra, e com paragens suficientes para recuperar forças e refrescar a garganta.

Vimos recantos absolutamente paradisíacos. Cada nova praia a que chegávamos era ainda mais encantadora que a anterior... A água era límpida ao ponto de parecer irreal. Lindo! O que eu dava para estar lá neste momento e esquecer o telefone que teima em tocar.(Provavelmente repararam que não tenho escrito nada, tenho estado extremamente ocupada no trabalho e fora dele....).

Durante a maior parte do percurso, pudemos observar a costa albanesa, ali tão pertinho. O contraste era gritante: do nosso lado, dominava o verde, enquanto que do outro a paisagem era agreste,nua e triste. E no entanto, a distância era mínima, quase "nadável":-)

Passámos uma hora a refrescarnos na última praia que visitámos. A água era morna, apetecível... Mas não há bela sem senão: os seixos tornaram a experiência um pouco dolorosa. Ainda assim, valeu bem a pena!

Thursday, August 31, 2006

Knossos


Terceira paragem: Creta

A manhã foi passada nas ruínas do palácio Knossos, centro da civilização minóica. No seu apogeu, chegou a ter 1300 divisões, alcançando 5 andares de altura em partes, com um sistema de água e esgotos extremamente avançado. Hoje, para além destas duas imagens e um ou outro espaço restaurado, visitar o palácio é um exercício de imaginação para ver o que já não está lá. São migalhas de uma civilização intrigante.

A segunda imagem, a sala do trono, foi a parte que mais me despertou a atenção... O trono é particularmente pequeno e estreito e há quem defenda, por isso, que era ocupado por uma mulher. Esta teoria não é a mais popular, mas é sem dúvida a mais curiosa.

A tarde foi passada no museu de Creta... As peças eram interesantes, mas a visita tornou-se cansativa porque a sua disposição era pouco apelativa e a iluminação também não ajudava. Ainda assim, gostei particularmente dos frescos minóicos, que parecem resultar de um cruzamento entra a cultura grega e egípcia... Infelizmente não tenho fotografias.

Tuesday, August 29, 2006

Um cheirinho da Turquia



















Segunda paragem: Kusadasi e Éfeso






Talvez porque as expectativas não eram tão altas, Éfeso impressionou-me deveras e fiquei com vontade de regressar à Turquia. Hoje é uma cidade em ruínas, mas ao passear pela sua avenida principal, rodeada de colunas, fontes, templos, casas, banhos públicos, biblioteca, anfiteatro sente-se que um dia aquele lugar foi um centro cosmopolita e cheio de vida.

Estava imenso calor, mas ainda assistimos a uma curta representação à entrada da biblioteca (imagem à esquerda) , recriando personagens do império romano. O que mais impressionou foi o enorme anfiteatro, com capacidade para 25000 espectadores, que ainda hoje é utilizado em raras ocasiões (imagem à direita). É difícil imaginar que Julio Iglesias e Madonna actuaram no mesmo local onde S. Paulo pregou às multidões...

Mais tarde, regressámos a Kusadasi, onde não escapámos a uma sessão de marketing de tapetes turcos. Fechados numa sala ampla com ar condicionado, o nosso grupo teve que digerir 45 minutos de tapetes a serem desenrolados. De cada vez que um deles era posto aos meus pés e me diziam o preço, tinha medo de o estragar só de olhar para ele... magníficos, sem dúvida, mas mal empregues para tapete. A parte mais simpática da visita foi o momento em que nos ofereceram chá de maçã turco. O único problema foi não poder saborar verdadeiramente a bebida porque a cada instante julgava que ia entornar o copo, deixar uma mancha e ter de sair de lá com um tapete às costas (hmmm, se calhar a bebida era mesmo parte desse plano).

Antes de regressarmos ao barco, passámos pelo mercado. Tanto para ver! Mas tivemos literalmente de fugir de lá porque os comerciantes não nos deixavam em paz. E compre, e faço desconto, e venha aqui...socorro! Não podia admirar nada sem que um vendedor se colasse a mim e me bombardeasse com mais produtos . Acabámos por só comprar chá e "turkish delight".

Monday, August 28, 2006

Love Boat

"Splendour of the Seas " não impressiona tanto por fora como por dentro: 11 andares, inúmeros bares, lojas, duas piscinas, jacuzzi, sauna, ginásio, mini-golf, "rock climbing", SPA, discoteca, grande sala de espectáculos, casino, sala de conferências, galeria de arte, biblioteca, etc... Já estão com inveja? Então já ficam sem ela, porque a primeira parte do barco que eu vi foi a enfermaria!

Tive uma gastroentrite nada simpática e como o diagnóstico não era defintivo, eu e o Bruce ficámos de quarentena por dois dias, fechados no quarto (já estou a imaginar os vossos sorrisos marotos). Ainda assim tivemos sorte porque não perdemos nenhuma das excursões, já que esses dois dias foram passados em alto mar. A cabine era bastante espaçosa , com uma enorme janela, a 2 metros acima das ondas preguiçosas do Mediterrâneo.

No segundo dia, à noite, tivemos autorização para sair e comemos finalmente na luxuosa sala de jantar, onde tínhamos já lugares marcados. Durante o cruzeiro, partilhámos a mesa com uma família americana muito conversadora (casal e dois filhos adolescentes) e um par italiano... que mal conhecemos, já que cada dia chegavam um pouco mais tarde, até os deixarmos de ver de todo. Estavam sempre bem-dispostos, mas os seus estômagos italianos recusavam-se a jantar às 18h30m.

Primeira paragem: Atenas

Há já muito que queria visitar a Grécia, especialmente depois de ter estudado Filosofia. Estava ansiosa por passear pela Acrópolis e ver as cariátides face a face. Apesar de ser um espaço carregado de história, o peso do calor e da cidade gigantesca em redor tapavam o seu encanto. Estava no cimo do monte, ao ar livre, e senti-me claustrofóbica: prédios a perder de vista, sem um pontinho verde, com ruas anoréticas e cinzentas. Que me perdoem todos aqueles que gostam de Atenas, mas a cidade fez-me pena. Faz-lhe falta Sócrates...

Friday, August 18, 2006

Mnham, mnham...



A sala de jantar estava linda, com os arranjos de flores, as velas acesas e música (jazz) ambiente... E a comida estava óptima - aqui fica o menu para vos abrir o apetite:

Abacaxi com frutos do mar e molho rosa
Creme de legumas
Tranches de cherne com molho de lagosta
Perna de porco assada com puré de maçã
Tiramissú

Passou num instante... Entre cada prato íamos distribuindo as prendinhas (canetas e leques) e lá chegou o momento do mini-concerto. Estivemos mesmo a ponto de não ir para a frente com a ideia. A música que tínhamos planeado apresentar não estava ainda bem estudada e à última da hora escolhemos outra - uma peça alentejana com um arranjo giríssimo, mas bastante aguda. Com os nervos, saiu-me a voz esganiçada (desculpas...), mas o concerto foi para a frente.

Os meus sobrinhos e especialmente as minhas sobrinhas apresentaram músicas da Floribela; o meu pai, irmãs e companhia cantaram juntos, e finalmente o pai e a irmã do Bruce e um amigo nosso trouxeram ainda mais canções. O momento alto do concerto foi, contudo, "o samba da titi Luísa" cantado pela minha irmã Teresa, pelo João e pela pequena Carolina:-) Derreteram corações! Quem me dera poder pôr aqui a gravação...

O resto do serão foi passado a dançar e a comer. Os convidados irlandeses ficaram tão maravilhados com a apresentação do buffet (cá não se vê nada disso) que estiveram meia hora a contemplá-lo e a tirar fotos, até que o Bruce e eu tivemos que insistir que sim, era mesmo para comer:-)

Nota: Não percam o próximo capítulo... Lua-de-mel!
E mais novidades: vamos voltar a entrar num musical... "It's Broadway!" está a caminho.

Wednesday, August 16, 2006

Copo d'água


Saímos da igreja sob uma chuva de pétalas de rosa. Como estava imenso calor, tirámos a foto de grupo e seguimos logo para o hotel em busca de refrescos e ar condicionado.

Quando lá chegámos, o espantalho que tínhamos contratado já estava a postos para entreter as crianças... Mas espantado ficou ele (e eu) quando viu que as crianças não lhe prestavam atenção nenhuma! O pobre coitado acabou por dirigir-se aos adultos, enquanto eu tentava reunir a criançada na sala das brincadeiras. E finalmente lá foram entreter-se com pinturas e afins...

Entretanto, no hall do Hotel Colina do Castelo, comia-se e ouvia-se música deliciosa tocada por dois amigos meus, a Susana (violino) e o Rui (acordeão), que deram um toque celta à nossa festa... E, claro, a sessão das fotos com os convidados começou. Confesso que não foi difícil, porque não tivemos que aguentar estoicamente os nossos sorrisos sob um sol abrasador, como fazem geralmente os noivos no Verão ( aliás, esposados - quem esteve no casamento, sabe bem o motivo desta correcção:-) Optámos tirar as fotos no interior do hotel, porque não queríamos que os convidados irlandeses ficassem com a pele cor de lagosta (o facto de nós estarmos com fatos pesados e cheios de calor não teve, obviamente, nada a ver com o assunto).

Decidimos mais uma vez ser pouco ortodoxos e cortar o bolo antes do jantar: assim todos puderam saboreá-lo antes de o estômago estar demasiado cheio... E resultou bem! Enquanto os convidados comiam, escapulimo-nos para o Castelo, tirámos mais umas fotos e ainda regressámos a tempo de fazer um mini-ensaio para o concerto dessa noite.

(to be continued...)

Monday, August 14, 2006

Marchar, marchar

Decidi acabar de uma vez com o suspense. Acreditem ou não, tinha 114 ganchos no cabelo! O Bruce deu-se ao trabalho de os contar no dia seguinte. Chega de penteado, ou nunca mais chego ao altar.

O meu cunhado Amândio ofereceu-se como motorista e a minha afilhada Maria, menina das alianças, veio comigo no carro. Não fomos pelo caminho mais directo para igreja, para dar tempo a que os convidados lá chegassem antes. Ainda assim, estive ainda algum tempo à espera que os últimos entrassem e quando já me dirigia para a porta da sé, apercebi-me de que... faltava o meu pai:-) Mal ele chegou, ouviu-se o início imponente de "Trumpet Voluntary" tocado pelo órgão e pelo trompete. Estou agora mesmo a ouvir a marcha de novo e sinto-me a reviver a entrada.

(Podem ouvir a marcha no seguinte site - a primeira da lista:
http://www.stclementchurch.org/weddings/music.html


Pé direito, pés juntos, pé esquerdo, pés juntos. A peça é relativamente longa, e o Jorge, o meu amigo organista, tinha-me avisado para entrar devagar... Mas devia ter ensaiado com o meu pai e a Maria. Entrámos os três a marchar em ritmos diferentes e quando levantei os olhos e vi os convidados, deu-me um "baque" e achei que ia tropeçar nos meus saltos altos (a que, de resto, não estou habituada). Felizmente isso não aconteceu, e nos últimos 8 metros já ia pé direito, pé esquerdo, pé direito, pé esquerdo, accelerando, que o altar ainda parecia longe.

E levanta-se o véu. Curiosamente, a partir daí senti-me viver fora de mim. Tinha tanto medo que algo corresse mal, dadas as diferenças linguísticas (a cerimónia foi em português e inglês) e religiosas (eu sou católica, o Bruce é protestante). No entanto, correu tudo melhor do que tínhamos planeado. A música foi angelical, as homilias verdadeiramente inspiradas (uma em português pelo meu tio Ilídio, padre, e outra, pelo pastor protestante, nosso amigo, em inglês) e o Bruce e eu não nos enganámos nos votos, nem nos esquecemos das alianças. Foi lindo!

Aqui fica uma benção apache que colocámos na contra-capa do livrinho da cerimónia:

Now you will feel no rain, for each of you

will be shelter for the other.

Now you will feel no cold for each of you

will be warmth to the other,

Now there is no more loneliness for you.

Now you are two bodies, but there is only

one life before you.

Go now to your dwelling place, to enter into

the days of your togetherness.

And may your days be good, and long

upon the earth.

Thursday, August 10, 2006

Terra Firme


Regressei de lua-de-mel no domingo passado (cruzeiro às Ilhas Gregas), mas só agora começo a ter os pés assentes em terra firme. Quando acontece tanto em tão pouco tempo, o coração precisa de digerir lentamente a realidade. Ainda o tenho a transbordar de momentos, memórias e palavras.

Os dias anteriores ao casamento passaram num abrir e fechar de olhos. Dormi bastante bem na véspera e como a cerimónia foi só à tarde, não tive de me levantar muito cedo (sim, uma noiva tem direito a ser preguiçosa;-). Agora adivinhem quantas horas passei no cabeleireiro? Dou-vos uma pista: estive lá mais tempo nesse dia do que no resto do ano todo. Três horas! Valeu a pena quanto mais não seja porque tive direito a sentar-me numa cadeira de massagens enquanto me lavavam o cabelo... E confesso que fiquei muito satisfeita com o penteado (e assustada com o preço!). Mais um desafio: quantos ganchos tinha o apanhado? Fico à espera de comentários, digo para a próxima.

Saí do cabeleireiro já com o véu posto... Tendo em conta que estava ainda de calças de ganga, o conjunto era, no mínimo, invulgar. E foi assim que fui buscar o meu ramo de orquídeas e regressei a casa, o mais sorrateiramente possível, dadas as circunstâncias... Para chegar ao meu quarto antes que os convidados me vissem.

Apertar os todos botões do vestido levou o seu tempo, mas ainda consegui ficar arranjada para tirar as fotos da praxe no quarto. Não tenho paciência nenhuma para poses e os fotógrafos, como já tinham sido avisados, não me torturaram muito :-) Chegada a hora, e como não queria mais de 20 minutos de atraso, comecei a pedir ao convidados para irem para a igreja. Os nervos começaram a apertar e acho que no fim estava quase a enxotar as últimas pessoas que ainda estavam (naturalmente) agarradas aos maravilhosos pastéis de carne da minha mãe... Peço desculpa se fui demasiado brusca.

E por enquanto o relato fica por aqui... Assim que puder continuo. Infelizmente ainda não tenho fotos do casamento, mas fica aqui uma de que gosto particularmente, tirada por um amigo nosso, Ian Collins.